O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) tornou réus os três acusados de envolvimento em golpes aplicados contra jogadores do Grêmio. A denúncia foi recebida na noite de terça-feira pelo juiz Paulo Augusto Oliveira Irion, da 13ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre. Os crimes teriam ocorrido em maio deste ano, em Porto Alegre e Itaperuna, no Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), um dos acusados criava perfis falsos em aplicativos de mensagens e utilizava a identidade de pessoas conhecidas do futebol, entre elas o técnico Luís Castro, que à época comandava o Grêmio, para estabelecer contato com atletas e posteriormente fazer pedidos de dinheiro. O homem foi preso preventivamente em 2 de setembro, no Rio de Janeiro.
O acusado responde por fraude eletrônica e associação criminosa. Duas mulheres também se tornaram rés no processo e são acusadas de cessão de contas bancárias para movimentação dos valores obtidos nos golpes, além de associação criminosa.
A investigação apontou que quatro jogadores vinculados ao Grêmio foram abordados pelo criminoso. Em um dos casos, o golpista manteve contato durante dias com o atacante colombiano José Enamorado, conversando sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos. Depois de estabelecer uma relação de confiança, apresentou uma suposta campanha para doação de cestas básicas e conseguiu que o atleta transferisse mais de R$ 22 mil.
Uma segunda transferência, de R$ 50 mil, também teria sido solicitada, mas não foi concretizada porque o valor ultrapassava o limite bancário da vítima. Os outros dois jogadores abordados não chegaram a realizar pagamentos.
Na decisão que recebeu a denúncia, o juiz apontou a existência de elementos que demonstram a materialidade dos crimes e indícios de autoria. Entre as provas está um comprovante de transferência bancária realizada por Pix.
Com o recebimento da denúncia, os três acusados deverão ser citados para apresentar resposta à acusação no prazo de dez dias. A partir dessa etapa, o processo seguirá para a instrução, quando serão analisadas as provas e ouvidas as partes.
A investigação que deu origem ao processo foi realizada pelas Polícias Civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro na Operação Falso 9. Conforme a apuração, o suspeito já havia sido preso em flagrante em 2024 por crime semelhante e mantinha contatos com outros jogadores de futebol vinculados a clubes brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e de um artista conhecido nacionalmente.