Na Comarca de Palmares do Sul, Litoral Norte do Estado, o juiz de Direito Rogério Kotlinsky Renner, aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra a companheira e o enteado de um homem que foi esquartejado e teve o corpo colocado em um freezer, em Balneário Quintão. Na mesma decisão, também foi deferido o pedido de conversão da prisão temporária da ré em preventiva e a manutenção da prisão do réu, sendo determinada a citação deles.
A denúncia foi encaminhada no último domingo pelo MPRS e recebida no dia seguinte pelo magistrado, que considerou estarem presentes os requisitos formais para dar início ao processo. A mulher e o jovem agora passam a figurar como réus na ação penal que apura o crime.
O MPRS denunciou os dois por homicídio qualificado por motivo torpe, devido a desavenças envolvendo questões patrimoniais. Também por dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima, morta com golpes de arma branca. O delito ainda teria sido cometido pelo fato dos autores se prevaleceram de relações domésticas, de coabitação e hospitalidade. A dupla também foi denunciada por ocultação de cadáver e por fraude processual.
- Mulher usou cartão de morto e vendeu churrasquinho enquanto corpo estava no freezer em Quintão
- Os detalhes e os bastidores da investigação do assassinato e esquartejamento em Quintão
- Crime em Quintão: vizinhos viam homem como simpático e mulher como reclusa e “muito estranha”
- PF indicia ex-assessor de Moraes por vazamento de mensagens do gabinete do ministro
Relembre o caso
Milton Prestes da Silva foi morto entre a noite de 27 de fevereiro e a madrugada de 28, dentro da casa onde morava com a companheira e onde mantinha um pequeno comércio. O crime veio à tona no dia 4 de março, quando um cunhado e um amigo da vítima foram até a residência após notarem seu desaparecimento e sentirem um forte cheiro no local. Ao abrirem o freezer, encontraram os restos mortais carbonizados.
O enteado foi preso ainda no mesmo dia da descoberta do crime, confessou o assassinato e disse ter matado o padrasto para defender a mãe, alegando histórico de violência doméstica. No entanto, a Polícia Civil não encontrou registros ou testemunhos que confirmassem essa versão.
A companheira da vítima permaneceu na casa por dias após o crime e, segundo testemunhas, chegou a pedir uma pá emprestada para tentar enterrar o corpo. Ela fugiu antes da descoberta, mas foi capturada dias depois.