Polícia

Mulher é condenada a 26 anos e 8 meses pelo homicídio triplamente qualificado de fotógrafo em Canoas

A acusada não compareceu ao Fórum e foi julgada à revelia; ela é considerada foragida da Justiça

A sentença renova o decreto de prisão preventiva e determina a imediata execução provisória da pena pela ré
A sentença renova o decreto de prisão preventiva e determina a imediata execução provisória da pena pela ré Foto : Fernanda Bassôa / Especial CP

O Tribunal do Júri condenou a 26 anos e 8 meses de reclusão, em regime inicial fechado, a mulher de 31 anos acusada de matar o fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, em 2015. Na época, o jovem de 22 anos foi assassinado com 19 tiros. Os sete jurados consideram a ré culpada pelo crime de homicídio triplamente qualificado - por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento que se iniciou às 9 horas de terça-feira, se encerrou após às 18h30 e foi presidida pelo Juiz Bruno Barcellos de Almeida, titular da 1ª Vara Criminal.

A sentença renova o decreto de prisão preventiva e determina a imediata execução provisória da pena pela ré. A acusada não compareceu ao Fórum e foi julgada à revelia. Ela é considerada foragida da Justiça.

Durante a sessão no plenário, foi ouvida a única testemunha de acusação, o delegado Marco Antônio Guns, responsável pela investigação dos fatos. Em depoimento, o policial detalhou as diligências realizadas no inquérito e os elementos que levaram a Polícia Civil a apontar a ré como figura central no crime. Segundo ele, a apuração reuniu depoimentos de testemunhas, análise de mensagens e dados técnicos de telefonia, o que permitiu reconstituir os últimos passos da vítima.

As investigações indicaram que a acusada mantinha contato frequente com o fotógrafo e teria insistido em marcar um encontro em um posto de combustível. Conforme relatado em plenário, registros telefônicos e imagens de câmeras de segurança apontaram que os aparelhos da vítima e da investigada se conectaram às mesmas antenas na região na noite do crime.

O delegado afirmou ainda que a identificação da suspeita resultou do cruzamento de informações colhidas logo após o ocorrido e que, com o avanço das apurações, surgiram indícios de vínculos da acusada com pessoas ligadas à criminalidade, especialmente ao tráfico de drogas, circunstância considerada na análise do caso.

A ré já havia sido submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2023, quando foi absolvida da acusação de homicídio. Na mesma sessão plenária, foi declarada a extinção da punibilidade pelo crime de ocultação de cadáver. Entretanto, em abril de 2025, o julgamento foi anulado após o Tribunal acolher recurso do Ministério Público, ao entender que a decisão dos jurados era contrária às provas constantes nos autos. A decisão transitou em julgado em agosto do mesmo ano, determinando a realização de um novo júri.

A acusação em plenário foi conduzida pelas Promotoras de Justiça Ministério Público Estadual, Daniela Fistarol e Rafaela Hias Moreira Huergo. A defesa da ré foi realizada pelos Advogados dativos Martin Mutschall Gross e Felipe Décio Trelles.

O Caso

O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos, foi encontrado morto na Prainha do Paquetá, em Canoas. De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em 28 de julho de 2015, por volta da 0h30min, nas proximidades das ruas Itu e Guarani, perto da estrada de acesso ao local. Conforme denúncia do Ministério Público, a ré mantinha relacionamento amoroso com um suspeito de fação criminosa. Ambos foram responsáveis pela morte do fotágrafo. Para a acusação, a mulher teria atraído o fotógrafo para um encontro, ocasião em que ele foi atingido por 19 disparos de arma de fogo. Apontado como autor dos disparos, o suspeito foi julgado e condenado pelo Tribunal do Júri em fevereiro de 2020, recebendo pena de 18 anos de reclusão, em regime fechado. Este atualmente cumpre pena.

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