Faltando seis dias para o segundo turno, a campanha de Maria do Rosário (PT) aposta todas as fichas em duas estratégias centrais para conseguir vencer Sebastião Melo (MDB) na eleição para a prefeitura de Porto Alegre: a mobilização por bairros e a polarização. Ou, mais precisamente, a conexão de Melo ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apesar de não serem inéditas, as estratégias ganharam novos contornos com a chegada de Rosário no segundo turno.
Para alcançar “todos os cantos da cidade”, a aposta é utilizar os vereadores e lideranças que compõem a coligação, tanto dos eleitos quanto dos não eleitos. Com isso, o objetivo é conseguir chegar nesse eleitor através de lideranças das suas próprias regiões.
Um exemplo é o vereador Giovani Culau (PCdoB), que além de eventos na região central, onde possui um eleitorado mais consolidado, também tem atuado no extremo-sul da cidade, onde também tem base. Outros vereadores seguem esse mesmo esquema, como Aldacir Oliboni (PT) no Partenon, ou até a deputada Laura Sito (PT), no Sarandi. Desde o início da campanha deste segundo turno, Rosário e dirigentes da campanha têm conversando com lideranças locais, não necessariamente dos partidos da coligação, a fim de ampliar essa movimento.
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E, como os eleitores de cada bairro carregam suas diferenças e especificidades, as táticas para conquistá-los também. No centro, por exemplo, a mobilização vem tentando conquistar aqueles que votaram em Juliana Brizola (PDT). A estratégia para isso é, justamente, “colar” em Melo o rótulo de bolsonarista. Agora, em bairros mais afastados, onde a polarização não está tão enraizada, o processo do “vira voto” é através das críticas sobre a gestão da prefeitura.
Vencido o desafio de passar para o segundo turno, a campanha de Rosário já vinha intensificando a aposta na polarização e elevando as críticas ao prefeito. Não só no discurso adotado pela mobilização nas ruas, essa prática também está sendo adotada pela própria candidata, e o tom dos últimos debates vêm subindo. As peças que circulam nas redes sociais e programas de TV, também.
Além de ligar o ex-presidente e as ideias defendidas por ele a Melo, a campanha de Rosário também vem apontando corrupção dentro do governo. Entretanto, o grande trunfo da campanha petista seria, afinal, a vinda do presidente Lula, o que, até o momento, está fora do horizonte.
