Eleições

“Combo” de sucesso garantiu vitória de Zucco

Conservadorismo, aliança com PP, marketing que suavizou imagem do deputado e recursos fartos liquidaram eleição no primeiro turno

Eleito governador, deputado do PL comemora com apoiadores fim da disputa no primeiro turno
Eleito governador, deputado do PL comemora com apoiadores fim da disputa no primeiro turno Foto : Mateus Raugust / Divulgação / CP

Há unanimidade entre estrategistas e aliados de Luciano Zucco (PL) ao definir o “combo” que levou o deputado federal a vencer no primeiro turno a eleição para o governo do RS neste domingo, apresentando uma performance superior até a indicada nas sondagens nas quais aparecia com os melhores desempenhos. E, no conjunto, o conservadorismo atribuído ao eleitorado gaúcho ou a popularidade de lideranças bolsonaristas no Estado é apenas um dos fatores.

O primeiro motivo do sucesso de Zucco, destaca um dos integrantes de seu núcleo duro de campanha, foi a ampla aliança que ele conseguiu fechar, a começar pela adesão do PP, ainda no mês de março. O apoio do PP teve um efeito em quatro frentes. Primeiro, fortaleceu a então pré-candidatura do PL. Mas, também, desferiu um golpe na base aparentemente coesa do governo Eduardo Leite (PSD), abrindo uma crise nas pretensões do MDB, que considerava a sigla fundamental para o desempenho de seu postulante, o vice-governador Gabriel Souza. Por fim, ajudou a atrair outras legendas da base governista, como o Republicanos e o Podemos.

Zucco chegou na campanha à frente de uma aliança que incluiu também Novo, DC e Democrata, militância estruturada em todo o Estado e recursos fartos. E já flertando abertamente com lideranças emedebistas, como o prefeito da Capital, Sebastião Melo. O apoio do PP, o mais tradicional partido conservador do RS, com diretórios em quase 100% das cidades gaúchas, e que elegeu mais prefeitos (164) em 2024, ganhou escala com a definição da deputada estadual Silvana Covatti como vice na chapa. Ela é a matriarca da família de políticos conhecida como “máquina de fazer votos”.

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Na sequência, o PL, as vezes aproveitando afinidades ideológicas, foi rápido em contratar profissionais e empresas que conheciam em profundidade não só o MDB como o atual governo. Entre eles Cleber Benvegnú, que ocupou a secretaria de Comunicação e a Casa Civil no governo de José Ivo Sartori. Tânia Moreira, que foi secretária de Comunicação de Leite. E a IPO Pesquisas de Opinião.

Na sequência, Zucco passou por um intensivo de media training. O treinamento que ensina políticos, celebridades, empresários e outros profissionais que precisem tratar com o público a se comportarem adequadamente, evitarem posturas e tom agressivos, manterem o controle, falarem com clareza e usarem expressões genéricas quando não conhecem um tema ou não sabem como responder a um questionamento.

A partir daí, a equipe de marketing teve êxito em apresentar Zucco como uma pessoa simples, comunicativa, e de trato fácil, afastando sua imagem do radicalismo associado a setores do bolsonarismo e à extrema-direita. A certeza do sucesso veio a partir de 12 de setembro. Foi a dia em que os trackings internos (que medem a evolução de tendências e comportamentos) passaram a identificar um crescimento pequeno, mas contínuo de Zucco nas preferências dos eleitores. Nos eventos – e nas redes – aumentou a mobilização para ‘liquidar a fatura’ de uma vez, validando o que anunciava, desde o início da corrida, o presidente estadual do PL, Giovani Cherini.

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