A trajetória de duas décadas de atuação na Polícia Federal acabou sendo um caminho, em 2018, para que Ubiratan Sanderson (PL) ingressasse na política. Isso se deu por meio de uma disputa à Câmara dos Deputados exitosa. Oito anos depois, foi um convite, ou seria convocação, do ex-presidente Jair Bolsonaro que o fez deixar a busca por um terceiro mandato para ingressar na briga por uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
“Eu não sou candidato de mim mesmo, sou candidato de um time e de um ideal daqueles que se posicionam no campo conservador”, define, ao comentar como entrou nesta disputa.
Com a experiência da Câmara dos Deputados, o candidato sustenta que a disputa atual exige posicionamentos claros sobre o papel do Judiciário, em especial mirando o Supremo Tribunal Federal, e a gestão de crises no país. “Defendo a proposta que limita as vagas do STF a juízes de carreira, estabelecendo mandatos de dez anos e exigindo uma sabatina material no Senado. Hoje, indicações políticas sem concurso público e com mandatos vitalícios enfraquecem a instituição”, destaca.
Sanderson encerra a série especial que o Correio do Povo realizou entrevistando os candidatos ao Senado. Também foram entrevistados Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela d’Ávila (PSol), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT) e Renato Jaguarão (Cidadania).
Veja o especial com oito candidatos ao Senado pelo Rio Grande do Sul
Principais trechos
Sobre a importância da disputa ao Senado no RS: “É uma disputa realmente bastante histórica. Não me lembro de alguma disputa ao Senado que tivesse tanta importância. São duas vagas e estamos bastante confiantes. Eu represento o PL, não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato de um time, de um ideal daqueles que se posicionam à direita no campo conservador e que fui indicado pelas lideranças nacionais, como recebi como convocação do próprio (ex) presidente Jair Bolsonaro.”
Sobre a sua candidatura: “O meu histórico profissional não é esse histórico de oito anos como deputado federal. Agora, estou na política. Mas a minha construção profissional se deu lá na Polícia Federal, atuando em todas as regiões do país, onde atuei em operações de todo tipo, tráfico de drogas, contrabando e descaminho, crimes ambientais. Eu não vivo da política. Estou aqui para ajudar a população gaúcha. Se estivesse preocupado em me acomodar num cargo político, que não é o caso, eu não viria a ser nada”.
Sobre o foco da direita nas eleições ao Senado e o STF: “Nós estamos trabalhando para ganhar o Senado para tirar essa turma que está aí disfarçada de magistrado. Nunca um magistrado vai atender a caprichos ou paixões pessoais, nunca o magistrado será o magistrado mesmo. Ele cumpre a lei”.
Sobre a PEC 12/2026 e mudanças na composição do STF: “Esta é de autoria do senador Carlos Portinho (PL) e limita a juízes de carreira, estabelece prazo de 10 anos. Depois de 10 anos no STF ele volta a ser juiz. Porque ele já está na carreira da magistratura. Depois de um certo tempo, 20 anos de carreira, comporiam uma lista tríplice que o presidente da República indicaria para o Senado, que seriam sabatinados materialmente e formalmente. Hoje a sabatina lá é uma vergonha. Os senadores, muitos deles corruptos, se limitam a elogiar os ministros do STF.”
Sobre a gestão da dívida do Rio Grande do Sul com a União: “Os senadores têm que resolver questões de financiamento interno e externo, inclusive administração de dívidas internas e externas. (...) Eu não me lembro de nenhuma vez os senadores gaúchos se reunirem para tratar sobre a questão fiscal. Eu não me lembro. Agora, os senadores novos vamos chegar lá e resolver a questão fiscal do Rio Grande do Sul. Quero uma auditoria dessa dívida. Vamos pegar ano por ano, fazer uma revisional de juros.”
Sobre a prorrogação do não pagamento da dívida: “Nós vamos ter que revisar a Propag porque em abril do ano que vem vamos voltar a pagar a dívida com a união. E não tem caixa (no Estado) para pagar dívida.”
Sobre a PEC da segurança pública: “Aprimoramos o texto da PEC da Segurança na Câmara para garantir a autonomia das secretarias estaduais e dar papel às guardas municipais. O Ministério da Justiça deve ser parceiro, e não dono das ações policiais.”
Sobre o enfrentamento ao feminicídio: “O Parlamento atua de forma paralela. Quem é o dono das ações de serviços públicos chama-se Executivo, as prefeituras, os governos de estados e o governo federal. Não é problema de lei fraca. O problema é aqui não há políticas públicas efetivas para o enfrentamento. A rede de proteção é falha. Eu tenho três irmãs, minha mãe, duas filhas, minha esposa. Eu estou preocupado com elas todos os dias. Bem, mas uma mulher agredida vai no fórum, por exemplo, e ganha um papel. O papel é a medida protetiva. Isso que não protege ninguém.”
Veja a entrevista na íntegra
