Eleições

Fux volta a bloquear posts que relacionam Flávio Bolsonaro a projeto

Ministro do STF criticou caminho processual adotado por Flávio Dino para suspender manifestação do TSE

Ministro retomou bloqueio de mais de mil postagens
Ministro retomou bloqueio de mais de mil postagens Foto : Gustavo Moreno / STF / CP

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, no final da noite desta segunda-feira, 28, a decisão do ministro Flávio Dino que derrubava a determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre retirar publicações com informação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende retirar de Nossa Senhora de Aparecida o título de padroeira do Brasil caso seja eleito.

Dino derrubou a decisão do ministro André Mendonça, que havia determinado a remoção de 1.125 publicações que faziam associação falsa de apoio de Flávio Bolsonaro a um projeto de lei para retirar da santa o título.

Ao analisar o recurso, Fux fez duras críticas ao caminho processual adotado para anular a decisão da Justiça Eleitoral. O magistrado destacou que a extensão de uma reclamação antiga para atender a uma pessoa que não era parte do processo original viola o princípio do juiz natural e configura a prática conhecida como "forum shopping", na qual a parte escolhe o julgador que lhe parece mais favorável.

Fux frisou também a inaplicabilidade do artigo 580 do Código de Processo Penal a ações constitucionais cíveis. Ele enfatizou que a própria tese fixada pelo plenário do STF assegurou expressamente a competência da Justiça Eleitoral para agir contra a sucessiva replicação de fatos reconhecidamente inverídicos.

Segundo Dino, é "impossível enxergar na postagem do peticionário o grau de certeza de ilicitude para - sem a adequada instrução processual - extrair duríssimas consequências contra a liberdade de expressão e, em última análise, contra a própria liberdade religiosa - já que os adeptos da fé em Nossa Senhora Aparecida ficariam, na prática, receosos ou impedidos de se manifestar".

O ministro argumentou que a remoção do conteúdo veiculado dependeria de duas operações proibidas: primeiro, presumir e estabelecer como verdade que "família miliciana", usada pelo humorista, refere-se a um determinado candidato à Presidência da República; segundo, interditar o livre debate sobre ideias religiosas por uma decisão judicial que, nas palavras dele, é "destituída de motivação e proporcionalidade".

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