Abrindo a série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Estado, do programa Acontecendo da Rádio Guaíba, o vice-governador e nome do MDB na disputa, Gabriel Souza, garantiu nesta terça-feira, ao apresentador José Aldo Pinheiro que, caso seja o próximo governador, seu governo será uma "evolução" e não um mero continuísmo da gestão de Eduardo Leite.
"Eu não pretendo fazer uma terceira edição do governo atual. Em que pese tenha muito orgulho do governo que eu estou fazendo junto com o governador Eduardo Leite, sei que é um novo período, com novos desafios, com coisas que já foram feitas, que temos que manter as conquistas e coisas que ainda não foram feitas nós que temos que avançar. Há coisas que podem ficar do jeito que estão, outras que não podem, que precisam ser melhoradas”, pontuou.
Críticas ao presidente Lula
Gabriel Souza também não poupou críticas ao presidente Lula, que na semana passada em visita ao Estado manifestou insatisfação com a suposta falta de projetos do governo gaúcho para a alocação de R$ 6 bilhões liberados pela União para a prevenção de enchentes. Souza classificou a fala do presidente como "bobagem".
“Na verdade, o Lula está totalmente desinformado e veio aqui fazer palanque político numa reunião séria, né?. Quem é o Lula para falar de obra atrasada?”, alfinetou Souza, citando atrasos históricos em obras federais como a duplicação das rodovias BR-290 e BR-116, além da transposição do Rio São Francisco e explicou que os projetos de engenharia para os diques de contenção precisaram ser inteiramente refeitos após as enchentes de 2024.
Segundo ele, os anteprojetos existentes eram baseados na cheia histórica de 1941, parâmetros que se provaram insuficientes para a catástrofe recente. Souza argumentou que a elaboração de projetos complexos exige tempo e que a construção de 150 quilômetros de novos diques na Grande Porto Alegre é um empreendimento de grande porte.
"O candidato que vier aqui dizer o seguinte: "Olha, eu faço essas obras em 2 anos", infelizmente vai estar mentindo", disparou.
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Dívida do estado
Sobre a histórica dívida do Estado com a União, Gabriel disse ter um plano para reduzir o juro da dívida. “Eu tenho o jeito de reduzir o juro da dívida, que é assinando o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), a partir de junho do ano que vem. É um programa que reduz; hoje o Estado paga IPCA mais 4% no juro da dívida, e vai pagar só a inflação, inflação mais zero por cento, reduzindo, portanto, o juro da dívida”.
Setor agrícola e irrigação
Para o setor agrícola, Souza pretende negociar com o governo federal a prorrogação do Fundo de Reconstrução do Estado (FUNRIGS). Com os recursos da prorrogação do FUNRIGS, o candidato quer focar na causa das perdas econômicas do Estado — as estiagens.
“Porque toda vez que tem estiagem, que tem seca, a nossa safra não acontece e isso faz cair a economia. Eu quero aumentar em 1 milhão de hectares irrigados no Rio Grande do Sul na área de plantação de soja, a partir do programa que criarei com o dinheiro da prorrogação do Funrigs”. Gabriel Souza já afirmou: "Farei o maior programa de irrigação da história", destacando suas metas para o setor.
Propostas para áreas essenciais
Gabriel Souza também detalhou suas propostas e defendeu o legado da atual gestão nas áreas de saúde, educação e segurança pública:
Pela saúde, o candidato estabeleceu a meta de zerar as filas de espera do SUS logo no primeiro ano de governo. “Vou colocar mais R$ 5 bilhões na saúde durante os 4 anos, exatamente para acelerar a agilidade dos pacientes serem atendidos no SUS”, ressaltou.
Na educação, propõe a criação do maior programa de ensino técnico da história do Estado, com a oferta de 80.000 novas vagas de dupla formação no ensino médio. Dessas, 50.000 vagas serão viabilizadas pelo próprio Estado em escolas de tempo integral e 30.000 serão adquiridas junto ao Sistema S (SENAI, Senac, Senar) e universidades parceiras.
Ele também ressaltou a evolução já realizada no setor. “A merenda escolar, que antes o Estado investia R$ 15 milhões para todas as escolas gaúchas, agora a gente investe R$ 180 milhões , de R$ 15 para R$ 180 milhões, merenda quente, merenda nutricionalmente adequada", salientou.
Na segurança pública, Gabriel disse que a atual gestão aumentou o efetivo e que irá ampliar caso seja eleito, passando de 35 mil para chegar perto de 40 mil homens e mulheres nas forças de segurança do Estado. Ele rebateu boatos de congelamento salarial, afirmando que as forças de segurança receberam um reajuste de 12,49%.
