Candidata da Unidade Popular (UP) ao governo do Rio Grande do Sul, Priscila Voigt já protocolou as suas propostas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento, de oito páginas, traz críticas à atual gestão de Eduardo Leite (PSD) e propõe mudanças em prol da soberania popular. Entre as ações de uma possível gestão, está a instalação do socialismo como novo sistema econômico no Estado.
No programa, a postulante rejeita a manutenção dos privilégios, a política privatista e a ausência de ações efetivas de proteção contra cheias. Priscila também critica a epidemia de feminicídios e casos de violência contra a mulher no Estado, assim como o cenário de insegurança alimentar.
Além da transição para uma economia socialista, a chapa, que terá Naf Nascimento (UP) como candidata à vice-governadora, propõe a reversão das privatizações das empresas públicas – incluindo a CEEE, a Corsan e a Sulgas – e a reforma agrária popular e a suspensão da dívida pública do Estado.
Em termos de resiliência climática e reforma urbana, a proposta prevê o desenvolvimento de estruturas de defesas contra cheias e inundações, bem como o fortalecimento e reconstrução dos sistemas danificados. A entrega de moradias definitivas para famílias atingidas e a criação de frentes emergenciais para realização de obras públicas também estão entre as proposições.
As propostas para a saúde e educação básica são similares. Priscila propõe investimentos massivos nas redes estaduais, assim como abertura de concurso público e convocação dos aprovados em concursos anteriores para garantir contratação direta em 100% das atividades escolares e do Sistema Único de Saúde (SUS).
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A candidata, que se compromete em lutar pelo fim da escala 6x1, também diz que vetará a militarização, a privatização e as parcerias público-privadas (PPPs) na educação. Segundo o documento, deverá ser obrigatório que todos os políticos eleitos do Estado matriculem seus filhos em escolas públicas e utilizem o SUS.
Já quanto ao ensino superior, Priscila propõe investimento massivo na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) e o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) como alternativa para incentivo ao desenvolvimento da ciência. A candidata quer garantir a aplicação da lei de 0,5% da receita líquida dos impostos estaduais para a ampliação do acesso às universidades.
No que se refere ao combate à violência contra as mulheres e crianças, a chapa prevê implementação de delegacias 24h em todas as regiões do Estado, assim como a criação de uma política de moradia e emprego para mulheres vítimas de violência e enrijecimento de espaços de acolhimento.
Com relação à segurança pública, está previsto no documento: “a proibição de operações militares em vilas e favelas; a desmilitarização da Brigada Militar”; “a punição exemplar para os policiais que tiverem praticado crime de tortura e execuções”; e “o combate ao crime organizado combatendo os ricos que o financiam”.
Para segurança alimentar, a chapa lista como proposta a criação de mercados populares que garantam venda dos alimentos a preços reduzidos, o fim das isenções e benefícios fiscais aos latifundiários, e a regulamentação do uso de agrotóxicos. Já, para mobilidade urbana, além da reestatização dos meios de transporte, está previsto o passe livre aos estudantes e trabalhadores.
Confira o plano na íntegra:
*Sob supervisão do jornalista Thiago Padilha
