No debate marcado pela ausência de três dos seis candidatos à presidência do Brasil, realizado pela Bandeirantes neste domingo, Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante); quando não dispararam críticas a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), focaram em segurança, Bolsa Família e escala 6x1.
Caiado afirmou que, em um eventual governo, dará mais autonomia aos governadores para tomar decisões na segurança pública de acordo com as realidades de cada estado. Também defendeu que facções criminosas sejam classificadas como organizações terroristas e afirmou: “Me dê um mandato e você vai ver que bandido não vai mandar em um palmo do Brasil”.
Na economia, Caiado afirmou que Lula tem “espantado os geradores de riqueza do País” e defendeu um “choque de credibilidade”. Prometeu conter despesas, reduzir a taxa de juros para 6% e manter a inflação entre 3% e 4%. Segundo ele, as medidas poderiam recuperar a economia e evitar que empresários deixem o país para se instalar no Paraguai.
Durante o encontro, Renan afirmou ainda que não quer o voto de parte do eleitorado de Lula. Segundo ele, a exceção seria o eleitor que recebe Bolsa Família e ainda acredita que o presidente é sua única fonte de alimentação. “O eleitor restante, que apoia esse cara, está sendo canalha, canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, declarou.
O candidato do Missão também criticou a proposta de fim da escala 6x1. Segundo ele, não seria possível reduzir a jornada de trabalho sem alterar os salários. Como alternativa, defendeu uma reforma trabalhista que permita a contratação por hora, medida que, em sua avaliação, poderia aumentar a remuneração dos trabalhadores. Em resposta, Augusto Cury citou o alto nível de burnout na população brasileira e defendeu uma adaptação da legislação para trabalhadores e empresários.
Cury, que havia anunciado que não participaria do debate, entrou no estúdio pouco antes do início do encontro. Do lado de fora da emissora, em uma transmissão ao vivo, havia afirmado inicialmente que deixaria o local caso os dois principais candidatos não comparecessem.
No encontro, Cury defendeu a manutenção do Bolsa Família, com ajustes. Segundo ele, trabalhadores com carteira assinada que tenham aberto um MEI não deveriam perder o benefício imediatamente, mas mantê-lo “por um certo tempo”. O candidato também afirmou que o Brasil está “dramaticamente doente, radicalizado, polarizado” e que a população estaria sendo levada a acreditar que o país está dividido em dois lados. Para ele, o Brasil está em um só barco, chamado de “família brasileira”. Cury também citou a existência de 6,7 milhões de jovens que não trabalham nem estudam.
Ao responder a Renan Santos, Cury afirmou que o adversário tem “um nível de agressividade” que o assombra.
