Política

Ministro do STJ suspeito de assédio sexual pede afastamento por 90 dias

Duas mulheres acusam Marco Buzzi de crimes sexuais

Marco Buzzi pediu afastamento do cargo
Marco Buzzi pediu afastamento do cargo Foto : Luiz Silveira/Agência CNJ

O ministro Marco Buzzi, integrante do Superior Tribunal de Justiça (STJ), pediu afastamento do cargo por 90 dias, segundo informações desta terça-feira do jornal O Estado de São Paulo. Ele é suspeito de assediar sexualmente duas mulheres. Em mensagem enviada a colegas magistrados, ele negou acusações.

De acordo com a assessoria de imprensa do ministro, consta no pedido de afastamento que o paciente apresenta problemas cardíacos.

A primeira acusação contra Buzzi veio à tona na semana passada, quando a família de uma jovem de 18 anos procurou ministros da Corte. Segundo relatos, a vítima passava férias com os pais e a família do ministro no imóvel dele, localizado no Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Segundo a vítima que apresentou a primeira acusação, o ministro a teria agarrado à força no mar. Ainda conforme o relato, a jovem se desvencilhou e contou o episódio para os pais em seguida, que deixaram o local no mesmo dia.

Nova denúncia

A segunda denúncia chegou ao conhecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nessa segunda-feira. Uma outra mulher alegou ter sofrido assédio sexual de Marco Buzzi. Conforme a nota do CNJ, a vítima narrou "fatos análogos àqueles objeto de um procedimento em curso", o que motivou a abertura de uma nova reclamação disciplinar contra o ministro.

A partir daí, foi aberta uma sindicância no STJ para apurar a veracidade dos fatos narrados pela primeira vítima. O mais provável é que o novo caso seja também alvo de investigação no tribunal. A sindicância aberta no STJ e os processos no CNJ têm caráter administrativo e podem resultar na aposentadoria compulsória do ministro.

Em paralelo, o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo pela família da primeira vítima foi encaminhado na semana passada para o Supremo Tribunal Federal (STF), por ser o foro indicado para processar e julgar ministros de cortes superiores. A investigação está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques.

Defesa

Os advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, que conduzem a defesa de Buzzi, dizem que ele "não cometeu qualquer ato impróprio". A defesa afirma que "vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados são um truque sórdido", e que "tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por 'juízes' e opiniões inflamadas".

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