O PSol do RS decidiu se posicionar publicamente sobre a crise que envolve hoje o PT gaúcho. O partido está fazendo um apelo para que o comando nacional do aliado não intervenha no diretório petista do RS, obrigando a sigla a desistir da pré-candidatura própria ao governo para aderir à pré-candidatura do PDT.
O PT vive uma crise inédita porque o diretório no RS lançou ainda no ano passado a pré-candidatura de Edegar Pretto ao Palácio Piratini, mas o comando nacional da legenda pressiona para que Pretto desista e o partido apoie a pré-candidatura da ex-deputada trabalhista Juliana Brizola.
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“É uma obrigação nossa apelar para que a intervenção não ocorra. Não interferimos na vida interna do PT, mas este quadro nos implica, porque implica na esquerda toda. Estamos preocupados com a unidade. Um ataque ao PT gaúcho vai destruir a unidade construída até este momento no RS”, aponta o vereador Roberto Robaina. Presidente do diretório em Porto Alegre, ele integra a direção nacional do PSol e é um dos principais articuladores da sigla no Estado.
Seu partido marcou para 31 de março uma reunião do diretório estadual, para avaliar o cenário no RS e, se preciso, realinhar as posições para as eleições no Estado. “Se ocorrer uma intervenção do PT nacional no PT gaúcho, o PSol, muito provavelmente, vai acabar lançando candidato próprio ao governo. Porque, se a hipótese de intervenção se concretiza, tudo vai ser rediscutido. Nós, que decidimos não ter candidato para apoiar o Edegar, consideramos até que possa haver um apelo de petistas para que o programa acertado com o Edegar tenha representação. Com o PDT, não temos um acordo programático. Não houve tempo para discutirmos isso com eles”, elenca Robaina.
O entendimento que a sigla agora torna público é o de que uma intervenção, com a imposição da candidatura de Juliana, à revelia das decisões do diretório gaúcho, acabaria deixando o chamado campo da esquerda sem representante no segundo turno da eleição para o governo e, por consequência, Lula ficaria sem palanque. “Ao contrário do que alguns dizem, se houver uma violação das decisões do PT gaúcho, o que vai acontecer é que, ao invés de um candidato do campo da esquerda, serão Gabriel Souza (MDB) e Luciano Zucco (PL) que disputarão o segundo turno no RS”, projeta o dirigente.
O PSol é hoje o principal aliado dos petistas na disputa estadual, e considerado parte fundamental da coligação que se formou em torno da pré-candidatura de Pretto, na qual estão reunidos, por enquanto, as federações PT/PCdoB/PV, Psol/Rede e o PSB. O partido, até o momento, é o único que, além do PT, tem espaço na chapa majoritária, onde ocupa uma das vagas ao Senado, com a pré-candidatura da ex-deputada Manuela D'Ávila.