Política

TJRS nega pedido de soltura de vereador Giovane Byl, preso em operação contra desvio de verbas da saúde

Defesa pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça após decisão que manteve prisão preventiva do parlamentar

A defesa do vereador Giovane Byl informou que pretende recorrer ao STJ
A defesa do vereador Giovane Byl informou que pretende recorrer ao STJ Foto : Mariana Tavares / CMPA / CP

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) negou nesta quarta-feira o pedido de soltura apresentado pela defesa do vereador de Porto Alegre Giovane Byl (Podemos). O parlamentar está preso preventivamente desde sexta-feira, quando foi alvo da Operação Cinesia, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que investiga o suposto desvio de mais de R$ 2 milhões em recursos destinados à execução de emendas parlamentares na área da saúde.

Segundo a decisão, há elementos concretos que justificam a manutenção da prisão preventiva e, neste momento, as medidas cautelares alternativas não seriam suficientes. A defesa informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O advogado que representa Byl e Evaristo Mutti, assessor do Podemos também preso na operação, afirmou que o pedido de habeas corpus de Byl foi indeferido. Segundo ele, a defesa considera a prisão cautelar desproporcional e pretende que o TJRS reveja a decisão no julgamento do mérito.

No caso de Mutti, a defesa conseguiu uma liminar no TJRS que converteu a prisão preventiva em domiciliar, com medidas cautelares. Aos 72 anos, ele tem doença renal crônica avançada e outras comorbidades. Entre as medidas determinadas estão a proibição de acesso à Câmara de Vereadores, de contato com outros investigados e testemunhas e a suspensão do exercício da função pública.

Entenda o caso

Deflagrada na sexta-feira, a Operação Cinesia cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão em Porto Alegre e Imbé. A investigação apura um possível esquema envolvendo recursos do Fundo Municipal de Saúde repassados para a execução de emendas parlamentares.

Byl foi preso na sexta-feira e passou pela 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (3ª DPPA). No sábado, participou de audiência de custódia e permaneceu detido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).

O MPRS denunciou nesta terça-feira 10 pessoas, incluindo o vereador e um assessor parlamentar, dirigentes de organização da sociedade civil (OSC), advogados e familiares, pelos delitos de associação criminosa e peculato, este último executado nove vezes.
A coordenação da operação e a denúncia são da promotora de Justiça Roberta Brenner de Moraes. Segundo ela, a atuação conjunta do grupo ocorreu entre maio de 2023 e setembro de 2026 e envolveu a transformação estatutária de entidade cultural para viabilizar sua atuação na área da saúde e a concessão de utilidade pública municipal.

Ao todo, a entidade conveniada recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Municipal de Saúde de Porto Alegre (FMSPA), gerando prejuízo comprovado de pelo menos R$ 2,25 milhões aos cofres públicos, conforme o MPRS. Na denúncia, o órgão requer a condenação dos acusados e a fixação de valor mínimo de R$ 2,2 milhões para ressarcimento ao Município, destacando ainda que os integrantes do esquema tentaram recompor artificialmente as contas com aportes privados superiores a R$ 1 milhão para simular regularidade e induzir a fiscalização em erro.

Quem é Byl?

Giovane Byl está no segundo mandato na Câmara de Porto Alegre. Ele foi eleito pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024, com 12.115 votos. Atualmente, preside a Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (CEFOR) e ocupa a vice-presidência da Mesa Diretora.

O vereador também é candidato a deputado estadual nas eleições deste ano. A prisão preventiva não impede, por si só, a candidatura, e ele permanece na disputa.

O que diz a defesa

Os advogados Guilherme Abrão e Carlos Feldman, defesa de Giovane Byl, informaram que vão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) indeferir, em caráter liminar, o habeas corpus apresentado em favor do vereador. Segundo Abrão, a defesa espera que a prisão preventiva seja revogada no julgamento do mérito.

Em relação a Evaristo Mutti, também preso na Operação Cinesia, Abrão informou que a defesa obteve uma liminar no TJRS para garantir a prisão domiciliar, com medidas cautelares. A previsão era de que ele deixasse a prisão ainda nesta quarta-feira.