Política

Vereadores de Porto Alegre aprovam criação da Secretaria Municipal de Fiscalização

Vinculada à Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg), nova pasta centraliza as diferentes atividades de fiscalização da cidade

Fiscais serão agrupados em um único plano de carreira
Fiscais serão agrupados em um único plano de carreira Foto : Ederson Nunes/CMPA/CP

A Câmara de Porto Alegre aprovou nesta quarta-feira a criação da Secretaria Municipal de Fiscalização (Sefis). Entre outras coisas, a nova pasta centraliza as diferentes atividades de fiscalização do município. Isso engloba tarefas realizadas atualmente em oito órgãos, como a Guarda Municipal, a Vigilância Sanitária e a Corregedoria da cidade. Apesar de críticas, o texto da Prefeitura foi acatado com 23 votos a favor e 8 contrários.

A proposta agrupa funções que hoje estão espalhadas em outras secretarias e estrutura um plano de carreira unificado para elas. Trata-se do “Agente de Fiscalização Municipal”. Com um impacto financeiro estimado para 2026 de R$ 1,1 milhão, o documento prevê a criação de 250 cargos (onde serão realocados os fiscais hoje em atividade).

O colegiado ainda aprovou as emendas 4, 6 e 13. Na prática, as mudanças empreendidas, além de corrigirem erros na redação do texto, regulamentam o ingresso e a progressão profissional da nova categoria.

Divergências e convergências na tribuna

Fiscais estiveram presentes na galeria para acompanhar a votação | Foto: Guilherme Vivan/CMPA/CP

A mudança divide opiniões. A base aliada do prefeito Sebastião Melo (MDB) acredita que a reforma é necessária para organizar e, dessa forma, otimizar os serviços prestados pelo Executivo. Por outro lado, a oposição entende que ela precarize as condições de trabalho e remuneração dos fiscais.

“Nós não somos contra a unificação”, afirmou Karen Santos (PSol), líder da oposição, na tribuna. Ela destaca, porém, que a matéria merece ressalvas. De acordo com a representante, a base salarial proposta mostra-se baixa quando comparada a outros municípios. “A cidade de Viamão, mesmo com uma população e orçamento menor, paga uma faixa inicial de R$ 4.800 aos fiscais”.

A vereadora Juliana de Souza (PT), por outro lado, adotou um discurso mais combativo. Para a petista, a aprovação do projeto explicita uma suposta postura autoritária do governo Melo. “Não toparam nenhuma mediação ou diálogo”, acusou. Na avaliação dela, a proposição implica em prejuízos significativos aos servidores com maior tempo de carreira, que deverão ter seus salários congelados.

Base aliada acredita que iniciativa vai otimizar os serviços | Foto: Fernando Antunes/CMPA/CP

“O projeto não é de oposição, nem de situação.” Na contramão do que alegam os seus adversário políticos, o vereador Idenir Cecchim (MDB) acredita que a iniciativa vai dignificar a profissão. "Unificar a fiscalização não significa que cada um vai ter que fazer tudo todo o tempo”, salientou. Líder da base aliada, o emedebista garante que a pasta funcionará com organização, sendo cada trabalhador encarregado de funções compatíveis com o seu treinamento.

Aliado, Marcos Filipe (Cidadania) também subiu na tribuna para exaltar a matéria. No entendimento do parlamentar, a unificação dos serviços de fiscalização torna o atendimento mais eficiente e assertivo. “Ele (o profissional) vai poder verificar a calçada, ver a obra, a questão sonora, sanitária, ambiental...” Ele ainda defende a utilização de equipamentos adequados e tecnologia para tal.

Entenda

A iniciativa busca centralizar as atividades de fiscalização espalhadas em diferentes secretarias. A nova pasta será vinculada à Secretaria Municipal de Segurança (SMSeg), que será responsável por gerir a sua atuação. Os profissionais, no entanto, continuarão a atuar em seus respectivos órgãos/departamentos.

O Executivo propõe uma divisão em dois eixos. Um deles trata dos assuntos econômicos e sanitários. O outro diz respeito às demandas urbanas e ambientais.

O impacto financeiro estimado para 2026 é de R$ 1,1 milhão. O texto cria 250 cargos para a carreira de Agente de Fiscalização Municipal. Os servidores que atualmente exercem a função integrarão a nova categoria. A proposta ainda prevê a criação de seis Cargos em Comissão (CCs) e 28 Funções Gratificadas (FGs). Em contrapartida, extingue outras 49 FGs.

*Supervisão Mauren Xavier