Expodireto

Produtividade e mercado do leite são tema de fórum na Expodireto

Especialistas discutiram importações, manejo de dejetos e planejamento estratégico na atividade leiteira

Expodireto 2026 - 21º Fórum Estadual do Leite
Expodireto 2026 - 21º Fórum Estadual do Leite Foto : Camila Cunha

O 21º Fórum Estadual do Leite foi realizado na manhã desta quarta-feira, na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. No encontro, autoridades e pesquisadores apresentaram números do mercado de leite e orientações para que produtores rurais otimizem a produção e o manejo de dejetos de bovinos.

Na abertura, o presidente da Expodireto, Nei César Manica, citou algumas dificuldades pelas quais o setor passa, como o baixo preço do leite. No entanto, para ele, o principal problema atualmente são as importações e a falta de proteção do mercado interno por parte do governo. “Mesmo tendo crescimento de produção, não podemos aceitar a entrada de leite de outros países com subsídios ou outras práticas que acabam prejudicando o preço do nosso produto. Precisamos proteger o nosso mercado e garantir o futuro do nosso produtor”, disse.

Presidente da Expodireto Nei César Manica, abriu os trabalhos no fórum | Foto: Renê Almeida / Especial / CP

Logo após, o evento contou com três palestras. O primeiro painel abordou o manejo sustentável de dejetos de bovinos de leite e foi conduzido pelo pesquisador da Embrapa, Marcelo Henrique Otenio. Ele falou sobre técnicas que podem ser usadas para que o produtor destine de forma adequada os materiais orgânicos dos animais, seja na forma líquida, sólida ou semissólida. “É o reuso e a circularidade na sua essência: se o resíduo é gerado dentro da propriedade, ele pode ser reaproveitado ali mesmo. Isso reduz, por exemplo, a dependência externa de insumos como adubos químicos e outros produtos necessários para a produção, mas que muitas vezes o produtor já tem disponíveis dentro da propriedade”, afirmou.

Segundo o pesquisador, além da sustentabilidade, o manejo adequado dos dejetos pode resultar em uma economia de até 25% no orçamento.

Marcelo Henrique Otenio, falou sobre o manejo de dejetos de bovinos de leite | Foto: Camila Cunha

O segundo a fazer sua apresentação foi o consultor da Federação Panamericana de Leite (FEPALE), Alejandro Galetto. Ele falou sobre o mercado do produto no Brasil, Uruguai e Argentina e afirmou que a projeção de queda de 23 milhões de pessoas com menos de 14 anos até 2050 preocupa o setor. “A produção do Mercosul está relativamente estagnada ou em queda. Eu penso que isso se deve a um problema de competitividade dos sistemas de produção, que não conseguem atrair os fatores de produção — terra, trabalho e capital — para que a atividade siga crescendo. Isso acontece porque o modelo atual tem baixa produtividade. Há alta produção, mas baixa produtividade, porque temos colocado muito dinheiro em silagem e cada vez obtemos menos leite por capital investido”, afirmou.

Alejandro Galetto apresentou dados da produção em países no Brasil, Uruguai e Argentina | Foto: Camila Cunha

A terceira e última palestra foi ministrada pelo médico veterinário da consultoria Rehagro Matheus Balduino Moreira. Em sua apresentação, ele falou sobre gestão de receitas e despesas e otimização da produção dentro das propriedades. O palestrante reiterou a necessidade de planejamento estratégico, com diagnóstico da situação, objetivos claros e procedimentos bem alinhados. “O pessoal às vezes acha muito complicado, mas chame a cooperativa, que tenho certeza de que ela pode apoiar na decisão”, disse. Uma das recomendações foi a plataforma SmartCoop, ferramenta digital de gestão agropecuária desenvolvida pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Ele citou também que ainda são comuns falhas no cuidado diário dos animais e na recria, o que pode comprometer a produção das vacas no futuro. Conforme a apresentação, pequenas mudanças na rotina da propriedade podem resultar em um incremento de renda superior a R$ 630 mil por ano. “O leite, assim como qualquer outro negócio, está nos detalhes. Todo mundo tem produção, todo mundo acorda cedo, todo mundo tira leite, todo mundo trata os animais. Mas o capricho com que isso é feito, o zelo, tem trazido muita diferença no resultado final. Então não é só fazer, é fazer com cuidado, com zelo e capricho, olhando, medindo, planejando, fazendo, medindo e ajustando”, recomendou.

Matheus Balduino Moreira deu dicas para otimizar a produção e a renda | Foto: Camila Cunha

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