O acordo União Europeia-Mercosul está em vigor de forma provisória há cerca de quatro meses, desde 1º de maio, enquanto aguarda a aprovação definitiva dos parlamentos nacionais dos países envolvidos. Na avaliação da pesquisadora Kelly Bruch, para conquistar mercado diante do acordo, o Rio Grande do Sul precisa apostar na originalidade, no nicho e nos produtos com valor agregado.
Ela realizou a palestra “Origem que Gera Valor: Oportunidades e Desafios no Acordo União Europeia-Mercosul” nesta segunda-feira, na Casa do Cooperativismo, do Sistema Ocergs, durante a 49ª edição da Expointer. "O meu produto é um produto que consigo trabalhar com volume, consigo ter baixo preço, ou vou ganhar na qualidade?", questionou a pesquisadora, que é doutora em Direito e pós-doutora em Agronegócios.
Kelly recapitulou como o acordo foi firmado e o que está valendo desde então. Em relação às tarifas, ela lembrou que o mercado gaúcho é afetado especificamente em cinco produções: queijos, vinhos, carnes, embutidos e arroz, os quais possuem maior produção. O desafio está na exportação, principalmente dos vinhos e dos queijos.
Indicação geográfica
Kelly também destacou como o acordo deverá impactar os produtos de indicação geográfica (IG), ou seja, com o selo de propriedade intelectual que identifica produtos ou serviços característicos de um local de origem específico. A grande questão é como os produtos poderão ser denominados e quais poderão ser utilizados daqui para frente.
A pesquisadora destaca que os produtores que já utilizavam os produtos anteriormente ao acordo, como por exemplo, o gorgonzola e parmesão, poderão continuar utilizando. Já outros tipos têm um prazo diferente para poderem ser utilizados. "Depende muito da indicação geográfica europeia que está sendo utilizada aqui, porque antes era considerado um tipo de produto aqui no Brasil."
Kelly destaca que o Rio Grande do Sul tem potencial para se destacar pelas indicações geográficas. "Tem muita cultura diferenciada e tradições no Sul e Norte do Estado que, hoje, ainda não são conhecidas e poderiam", afirmou, destacando que podem auxiliar a colocar o Estado no mercado externo, como é o caso da União Europeia.
O mais importante, na avaliação da pesquisadora, é a preparação para as mudanças. No caso do vinho, em até 10 anos, o Estado terá vinhos importados sem a necessidade de pagar impostos de importação.
Para Kelly, o mercado gaúcho poderá não conseguir vencer no volume, mas sim na adoção de estratégias de nicho. Ela lembra que o Mercosul é um mercado grande, e que pode ser bem explorado. "A gente tem que olhar para onde que a gente quer ir. Esse planejamento vai fazer uma diferença muito grande, principalmente para as cooperativas gaúchas."
"De maneira geral, a União Europeia, hoje, é um mercado em recessão. Eles têm muito produto e querem escoar. Eles têm tanto produto que estão fazendo arranque de videiras, e estão pagando para o produtor não produzir mais, têm excesso. Eles vão querer mandar para cá."
O presidente do Sistema Ocergs, Darci Pedro Hartmann, destacou a importância de que as cooperativas se preparem para as mudanças de mercado e, cada vez mais, busquem os selos de origem para construir produtos que "falem diretamente com o consumidor". "Precisamos ter esse entendimento de que esse mercado está mudando, esses acordos vêm para ficar e precisamos pensar seriamente que, cada vez mais, precisamos buscar oportunidades. Nosso objetivo é buscar as melhores pessoas para que tenhamos as melhores informações."
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