As exportações do agronegócio gaúcho no acumulado de janeiro a junho de 2026 somaram US$ 6,84 bilhões, alta de 8,3% frente aos US$ 6,32 bilhões de igual período de 2025. E em volume, o avanço foi de 9,1%, de 9,84 milhões para 10,74 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 7, pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul).
As principais contribuições positivas no acumulado foram de milho, soja em grãos, bovinos vivos, farelo de soja, carne de frango in natura, carne suína in natura, arroz, óleo de soja em bruto e carne bovina in natura.
Em sentido contrário, fumo não manufaturado, trigo, celulose, couros preparados e calçados de couro ainda limitaram o resultado acumulado.
O complexo soja expandiu os embarques de US$ 1,558 bilhão no primeiro semestre de 2025 para 1,874 bilhão no recente, ou +20%; em carnes, crescimento de 24%, de US$ 1,225 bilhão para 1,513 bi, com destaque à bovina, com 34% de crescimento, de US$ 174,106 milhões para US$ 233,903 milhões.
Já arroz passou de US$ 192,384 milhões para US$ 260,896 milhões, ou +36%; e o milho subiu 76%, de US$ 185,258 milhões para US$ 326,908 milhões.
Os embarques de gado vivo cresceram de US$ 104.681.546 de janeiro a junho de 2025 para US$ 222.940.566 (+113%) no primeiro semestre deste ano.
E o trigo encolheu de US$ 349,241 milhões para US$ 239,603 milhões, ou -31%. Destaque negativo também ao tabaco e seus derivados, cujos embarques foram de US$ 1,202 bilhão para US$ 904,271 milhões, ou encolhimento de 25%.
E o fluxo exportador do agronegócio gaúcho também mostrou mudança relevante na composição dos principais mercados, menciona a Farsul. A China seguiu como principal destino, com 20% do valor exportado no acumulado, mas com queda frente a 2025.
Ao mesmo tempo, ganharam peso Índia, Egito, Turquia, Filipinas, Países Baixos, Coreia do Sul, França, Malásia e Eslovênia, enquanto Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Itália, Arábia Saudita, Vietnã e Bélgica perderam participação relativa.
“Assim, o acumulado de 2026 mostra uma pauta mais diversificada geograficamente, sustentada por soja, milho, proteínas animais, arroz e óleos vegetais, mas ainda pressionada por fumo, trigo e produtos florestais”, sintetizou a entidade em nota.
Junho: 68,9% do RS
E em junho os embarques do setor somaram US$ 1,24 bilhão, crescimento de 3,9% na comparação com o mesmo mês de 2025. O agro foi responsável por 68,9% de tudo que o Estado exportou no período.
“O dado peculiar do mês é o contraste entre o valor faturado e o volume embarcado. Enquanto o montante financeiro subiu, o volume físico recuou 2,2%, passando de 1,80 milhão para 1,76 milhão de toneladas. Isso sinaliza uma melhoria na composição dos produtos exportados e um preço médio mais atrativo”, avaliou a Assessoria Econômica.
O desempenho positivo foi sustentado, principalmente, pelos seguintes setores
Complexo soja: cresceu 15,2% em valor, com destaque para a soja em grãos (alta de 18,8% em valor) e o farelo de soja. E 42% do total vendido pelo agro.
Carnes: a carne de frango in natura teve um salto expressivo de 65,6% em valor, reflexo de uma recomposição de fluxos após as restrições sanitárias enfrentadas no ano passado. A carne também avançou 15,3%, para 19% do total.
Arroz: o segmento registrou alta de 17,4% em valor, puxado por uma diversificação de destinos que inclui países da América Central, Caribe e África.
Bovinos Vivos: “destaque absoluto no mês”, define a Farsul, com um crescimento de 1.567,9% em valor, impulsionado pela retomada de embarques para a Turquia. Ou de US$ 2.854.770 em junho/2025 para US$ 47.616.010 no mês passado, participação de 4% no total embarcado pelo agro.
“Nem todos os setores acompanharam o ritmo de crescimento. O resultado do mês foi limitado pela retração de produtos como o fumo não manufaturado, a celulose, o óleo de soja em bruto e a carne suína in natura. Especialmente no caso da celulose e da madeira, a queda reflete a não repetição de grandes embarques realizados no mesmo período do ano anterior”, analisou a Assessoria.
