Os atendimentos na Clínica da Criança, reinaugurada dentro do Hospital Universitário em 21 de julho, teve os atendimentos suspensos em 23 de julho por falta de médicos pediatras. Para funcionar a pleno e dar conta dos 18 leitos pediátricos - dez de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oito de suporte respiratório para casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) – são necessários ao menos nove médicos pediatras, sendo que destes, seis precisam ser intensivistas para atuarem na UTI.
Diante deste impasse, na última terça-feira o prefeito de Canoas, Airton Souza se reuniu com o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, para discutir medidas e tentar garantir a integralidade das escalas médicas. Durante o encontro, o prefeito pediu apoio do Simers para a composição do corpo clínico pediátrico da estrutura. "Há poucos pediatras disponíveis no mercado e o apoio do Simers é essencial para conseguirmos garantir a composição da Clínica da Saúde com a qualidade que a população merece."
A reabertura da Clínica da Criança coincidiu com a abertura de mais de 50 leitos pediátricos na região e no Estado nos últimos dias, e empresas e casas de saúde responsáveis por prover equipes para estes novos espaços procuraram profissionais que também atuavam no HU e os contrataram para atuarem nestes locais, o que fez com que a escala ficasse incompleta e obrigou o hospital a suspender o atendimento na clínica.
Desde então, a Associação Saúde em Movimento (ASM), empresa gestora do HU, notificada pela Prefeitura, está atuando para contratar novos profissionais para o atendimento na clínica, incluindo médicos de fora do Estado. A administração municipal reiterou com o sindicato o compromisso com o pagamento em dia de todos os profissionais da Clínica da Criança, como vem ocorrendo com os médicos de todas as unidades desde o início de 2025.
SINDICATO PEDE SOLUÇÃO PARA ATRASO DE PAGAMENTOS
O presidente do Simers, Marcelo Matias, pediu ao prefeito respostas às dezenas de ofícios que o Sindicato enviou à prefeitura solicitando informações e uma solução para os incontáveis atrasos no pagamento aos médicos. Desde o início do ano, 155 ofícios sobre a situação da saúde de Canoas já foram enviados. De acordo com o Sindicato Médico, existe um passivo em dívidas trabalhistas, desde 2023, da gestão anterior, estimado em R$ 90 milhões, que ainda está pendente entre os profissionais.
E por isso há uma falta de credibilidade dos médicos com a saúde de Canoas, o que afasta os profissionais das unidades de saúde do município. Matias solicitou, ainda, a ampliação de recursos para a saúde. Airton Souza se comprometeu a dar retorno aos ofícios e pediu que o Simers apresente as pendências financeiras que a Prefeitura tem com os médicos. Uma nova reunião deve ocorrer até o dia 12 de agosto.
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