O aumento na procura por atendimentos na rede pública de pessoas com doenças respiratórias fez com que a Prefeitura de Pelotas decidisse por decretar situação de emergência em saúde pública. O documento que tem validade de 120 dias, podendo ser prorrogado por igual período, já foi assinado pelo prefeito Fernando Marroni, na presença de representantes do setor, de universidades e estabelecimentos da área.
Na oportunidade também foram apresentadas as estratégias que serão usadas pelo município para enfrentar o problema. Entre elas estão horários estendidos e atendimentos aos finais de semana na atenção primária, a contratação de mais profissionais de saúde, o que inclui mais um médico para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), além de intensificar a vacinação.
A documentação foi enviada ao Ministério da Saúde para habilitação para recebimento de recursos. O investimento mensal previsto é de mais de R$ 3,2 milhões. Inicialmente, 22 leitos devem ser adquiridos junto aos hospitais.
O prefeito enfatizou a necessidade dos cuidados básicos para que as pessoas se protejam da Influenza A . "Devemos nos concentrar em informar sobre a importância da vacina, assim como a necessidade que a população tenha os hábitos de etiqueta respiratória, evitando que o vírus se alastre", destaca. Ele lembrou das epidemias anteriores como gripe espanhola e coronavírus. "Vamos enfrentar mais esta e só se vence batalhas se estivermos unidos", destacou. Pelotas mantém vacinas disponíveis em pontos estratégicos, além da Casa da Vacina e prepara um novo dia D, marcado para dia 14 deste mês.
A Vigilância Epidemiológica apresentou os dados de 2025 e também do ano passado, quanto a atendimentos no Pronto Socorro de casos de doenças respiratórias. Em abril foram 317 atendimentos e em maio 611, configurando um aumento de 93% no período. Por outro lado, a cobertura vacinal segue baixa no município. Até sexta-feira 31,26% dos pelotenses haviam sido vacinados.
Nos dois últimos meses, a cidade registrou um aumento em casos de problemas respiratórios de 70% de procura por atendimento no Pronto Socorro, 92% na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e 70% nas Unidades Básicas de Atendimento Imediato (Ubais). A preocupação das autoridades é o risco potencial de esgotamento da capacidade de resposta, principalmente na disponibilidade de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
Se comparados os meses de maio e março deste ano, o aumento de casos de sintomas gripais chega a 166%. Já em maio em relação a abril o índice é de 79,2%. Pelo decreto, enquanto o município estiver em situação de emergência, os hospitais que prestam serviços pelo SUS deverão adotar medidas urgentes para priorizar e assegurar a disponibilização de leitos de suporte ventilatório e UTIs para doenças respiratórias. A cidade tem uma morte confirmada por Síndrome Respiratória Aguda e outra em investigação.
Na atenção primária as medidas começam a valer neste domingo, quando a UBAI Navegantes passa a oferecer atendimento pediátrico das 16h às 22h e a partir do próximo sábado do meio-dia até a meia-noite. A partir desta segunda-feira, as UBSs, Sansca e Barro Duro terão horário estendido até ás 21h. Também faz parte do plano de ação a abertura de três Ubais aos fins de semana e a ampliação dos horários dos turnos para das 7h ás 13h, das 13h às 19h e das 19h à 1h, além da capacitação dos profissionais.
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