O recente panorama apresentado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública impõe um alerta gravíssimo que não pode ser ignorado pela sociedade e pelas lideranças gaúchas. Enquanto os indicadores gerais de homicídios no Rio Grande do Sul apresentaram recuo expressivo, as estatísticas de feminicídio seguiram no caminho oposto, registrando um crescimento de 9,5% no último ano, segundo reportagem do Correio do Povo. Quase metade das mortes violentas de mulheres em solo gaúcho decorre de crimes motivados pela condição de gênero — uma realidade inaceitável que demanda respostas imediatas e complexas.
Essa estatística, que tem se expandido neste ano, quando mais de 40 mulheres já perderam a vida dentro desse contexto, expõe que as políticas públicas tradicionais de combate à criminalidade comum não têm alcançado o ambiente doméstico, onde a maioria das agressões é cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. O descumprimento sistemático de medidas protetivas e o avanço das tentativas de feminicídio indicam que o aparato de proteção atual requer aperfeiçoamentos urgentes. É preciso reconhecer que há projetos visando reação. Trata-se de uma tragédia contínua que dilacera famílias e exige do Estado uma atuação mais célebre, integrada e preventiva.
- Números a serem melhorados
- Em meio à escalada de feminicídios, AL prioriza projetos visando reação
Diante da proximidade do debate eleitoral, o combate à violência contra a mulher deve figurar no centro das plataformas programáticas dos candidatos ao Palácio Piratini. Não há espaço para propostas genéricas ou discursos de ocasião diante de um tema que envolve a preservação da vida. Exige-se dos postulantes o compromisso com diretrizes claras: o fortalecimento das redes de acolhimento, a expansão de delegacias especializadas, o monitoramento efetivo de agressores e a alocação de recursos orçamentários compatíveis com a dimensão do desafio.A superação desse cenário requer coragem política, rigor técnico e a convergência de esforços entre os poderes constituídos. Garantir a integridade das mulheres gaúchas não é apenas um dever constitucional, mas o teste definitivo do compromisso ético de qualquer projeto de gestão pública para o futuro do Rio Grande do Sul.