Verão

Casas populares foram alvo de vandalismo e impasse de ocupação em Cidreira

Conjunto com mais de 30 moradias entregues em 2021 tem apenas oito ocupadas; prefeitura promete reforma e novo chamamento ainda este ano

Moradias foram danificadas após abondono e espera por moradores
Moradias foram danificadas após abondono e espera por moradores Foto : Fabiano do Amaral

Um conjunto habitacional construído para realizar o sonho da casa própria de famílias em situação de vulnerabilidade social se transformou em foco de vandalismo, furtos e consumo de drogas em Cidreira, no Litoral Norte. Localizada na Avenida Alfredo Pedro da Silva, a cerca de 500 metros do Estádio Antônio Braz Sessim, o Sessinzão, uma área reúne 31 casas, mas apenas oito estão ocupadas.

Como demais apresentam sinais evidentes de abandono. Janelas e portas foram arrancadas, telhados parcialmente retirados e o local se tornou ponto de acúmulo de lixo. Moradores relatam que o espaço se tornou ponto frequente de depredação e circulação de usuários de drogas.

A moradora Rossi Pedroso afirma que o projeto é da década de 2010 e que os beneficiários foram selecionados por meio de edital, com base em critérios sociais. "Fomos notificados que ganharíamos as casas. Era para termos recebidos em 2018, mas só entregaram em 2021", relata.

Segundo ela, todos os contemplados foram chamados, mas parte desistiu após anos de espera. Outros falecidos ou deixaram o município. Há ainda casos judicializados contra a prefeitura. "São 31 casas, mas só oito estão ocupadas. Desde 2018 já fizeram pelo menos duas reformas por causa do abandono. O tempo passa, não entregam, e depois fica assim de novo. Se as pessoas não querem mais, que seja feita nova listagem", defende.

Rossi também afirma que as moradias foram prometidas com infraestrutura completa. "Disseram que entregariam com muro, água e luz. Até hoje não temos escritura e não pagamos IPTU", lamenta.

O conjunto, que deveria abrigar famílias beneficiárias de programas sociais, acabou se tornando um problema urbano e social. Casas vazias facilitam invasões e furtos de materiais, agravando a flexibilidade.

O prefeito de Cidreira, Gilberto Costa, confirmou a situação e afirma que o município está impedido de redistribuir as casas sem cumprir as etapas legais, pois há uma lista de beneficiários definida anteriormente. "Existe uma ação judicial e o município não pode simplesmente fazer para outra pessoa, porque há uma lista de espera. Temos que seguir as regras", explica.

Segundo ele, a administração trabalha na elaboração de planilhas e orçamento para viabilizar a reforma das unidades ainda neste ano. "A meta é reformar o quanto antes e fazer novo chamado, caso os primeiros sorteados não incluam mais no município. Vamos seguir os critérios da assistência social e do CadÚnico. O recurso é federal, e o município é responsável por dar a destinação final", afirma.

O prefeito também informou que o projeto entraves no passado, inclusive questionamentos sobre a área onde foi construído o loteamento, o que teria contribuído para atrasos e paralisações.

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