Se do lado de dentro o vazio ocupa o espaço das arquibancadas do Estádio Antônio Braz Sessim, o Sessinzão, que possuía capacidade de cerca de 15 mil pessoas, a área externa da praça esportiva tem apresentado lotação máxima nos últimos anos. Sofás, colchões, eletrodomésticos, galhos, móveis destruídos, restos de madeira de construção e lixo fazem parte do cenário de uma das estruturas mais emblemáticas de Cidreira, no Litoral Norte.
Desativado desde 2010, o Sessinzão segue padecendo com o descarte irregular de resíduos enquanto espera o andamento no projeto de transformação para autódromo de pista oval. Em novembro, a Câmara de Vereadores de Cidreira aprovou a autorização para que a prefeitura possa ceder o espaço para a iniciativa privada para a revitalização do estádio. A duração da concessão deverá ser de 30 anos.
Paralelamente, a preocupação do poder público se dá para limpar a área, como forma de preparação para as obras, além de encontrar formas de evitar novos descartes irregulares. De acordo com o prefeito Gilberto da Costa Silva, o Beto do Litoral, a Administração Municipal está em processo de implantação de ecopontos em locais estratégicos, reduzindo o descarte irregular na cidade, principalmente no entorno do estádio.
“Além disso, o município irá intensificar a fiscalização e reforçar as ações de orientação e conscientização da população para preservar a área e evitar novos focos de descarte irregular. Sobre a concessão do estádio, o processo encontra-se em tramitação interna, dentro dos trâmites legais e administrativos. A proposta de transformação do espaço em autódromo é avaliada como uma alternativa para a recuperação da área, com potencial de fomentar o esporte, gerar desenvolvimento e impulsionar a economia local”, afirmou Beto do Litoral.
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Andamento no projeto de transformação
Enquanto isso, a Federação Gaúcha de Automobilismo (FGA) busca superar entraves burocráticos para dar andamento na proposta de transformação do estádio em autódromo. Segundo o presidente da entidade, Arlindo Signor, o projeto está andando, mas por se tratar de uma obra de grande porte, possui situações a serem resolvidas.
“O entrave maior é na elaboração de um termo de referência, que precisa ser bem completo. São questões delicadas, de grandes investimentos e de períodos longos. Também estamos buscando investidores para o projeto. Na nossa primeira reunião da FGA em 2026, marcada para fevereiro, vamos tratar dos próximos passos. Enquanto isso, nosso jurídico dará andamento no termo de referência”, explicou o presidente da FGA.
Signor ressalta ainda que, depois da conclusão do termo de referência, a FGA procurará o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) para tratar da situação de uso do estádio, que está interditado, de acordo com o Corpo de Bombeiros. “Mas acredito que são condições fáceis de se resolver. No momento que apresentarmos um projeto bom para todas as partes, acredito que a situação vá andar”, completou.
Enquanto esses entraves não são superados, ainda não é possível definir uma data para início de obras. O projeto prevê que o autódromo tenha uma pista oval de 498 metros de comprimento - maior que uma pista de um quarto de milha -, com a possibilidade de receber um kartódromo com escola de pilotagem no centro, para movimentar o espaço tanto no verão como durante todo o ano.
Além disso, Signor explica que já possui negociações em andamento com categorias para correrem no autódromo. A Nascar Brasil, conhecida anteriormente como GT Sprint Race, é a categoria citada como principal foco para correr no autódromo. “Ele vai dar um impulso muito grande no automobilismo no RS e no Brasil, pois não há autódromos ovais na América do Sul. Será uma ótima oportunidade para fomentar o esporte na região. Já temos promotores com interesse em trazer categorias e investimentos para cá”, finalizou.
Estádio Municipal Antônio Braz Sessim (Sessinzão) em Cidreira
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