Verão

Natureza intocada, preservação, pesca e aventura: parque da Lagoa do Peixe completa 40 anos em 2026

Área de preservação no Litoral Médio, entre São José do Norte e Mostardas, é administrada pelo ICMBio

Lagoa do Peixe é recanto de natureza que serve de moradia e migração para diversas espécies de animais
Lagoa do Peixe é recanto de natureza que serve de moradia e migração para diversas espécies de animais Foto : Pedro Piegas

Distante cerca de 230 quilômetros da Capital, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe é um refúgio da natureza na área costeira do Rio Grande do Sul, essencial tanto para a preservação ambiental por ser habitat ou local de passagem de diversas espécies, como para atividades de lazer e também socioeconômicas do Litoral Médio gaúcho. Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a área completa 40 anos em novembro de 2026.

Ao todo, o parque possui mais de 36 mil hectares, contemplando um perímetro de cerca de 140 quilômetros, que abrange os municípios de Mostardas (17% da área total), Tavares (80%) e São José do Norte (3%). Além disso, quem visita o parque tem um leque de opções de lazer, que contemplam desde a própria lagoa - que não costuma ser utilizada para banhos, sendo mais usada para pesca de peixes, camarões e siris -, a área de dunas e lençóis - tal qual os tradicionais de Cidreira -, e a extensa faixa de areia, com praias de natureza praticamente intocadas.

Refúgio da vida animal

Seja para as espécies que vivem diretamente no local ou mesmo para aquelas que utilizam a área para determinados momentos da vida, o parque recebe uma grande quantidade de animais, principalmente aves, mamíferos, répteis, peixes e crustáceos. A preservação da área tornou a Lagoa do Peixe um dos principais pontos de observação de aves e outras espécies no RS.

Conforme a administração do parque, o número de visitantes começa a se intensificar a partir da primavera, principalmente por conta do movimento migratório de espécies de aves que utilizam a área em busca de abrigo, alimento e reprodução. No Verão, a passagem de espécies migratórias que vêm do hemisfério Norte também leva muitos observadores e apreciadores destes animais para o parque.

Além disso, a natureza intocada em parte da Lagoa do Peixe faz com que muitos outros animais o utilizem como habitat, como é o caso do jacaré-do-papo-amarelo, que é considerado como ameaçado de extinção no Estado. No parque, também é possível verificar a passagem de mamíferos aquáticos, como baleias e leões-marinhos.

Em dezembro, uma baleia foi encontrada morta na faixa de areia e, assim como ocorre em áreas de natureza intocada, a carcaça segue no local para servir de alimento para aves carniceiras, como o Carcará.

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Área para atividades de lazer

Por conta de sua grande diversidade, o parque da Lagoa do Peixe recebe turistas diariamente, seja em grupos de estudantes ou mesmo famílias. Para grande parte, o objetivo é banhar-se nas praias reservadas do parque. Para outros, o local oferece espaços de contemplação e atividade ao ar livre, das mais tradicionais às mais exóticas e radicais.

Um destes ocorreu com a família do jovem Leonardo Donatti, de 18 anos, morador de Canoas. Veraneando com a família em Tramandaí, o estudante, que também é praticante de voos de paramotor, aproveitou a beleza do local para sobrevoar o parque. “O passeio foi bem legal. A Lagoa do Peixe tem paisagens muito bonitas de ver se de cima. Agora vamos ficar para aproveitar o dia no parque”, contou o jovem.

Pesca que sustenta famílias da região

Se parte das espécies chega no parque pelo ar, um dos protagonistas da Lagoa do Peixe chega pela barra natural - mas ampliada por ação humana quando necessário - que liga a lagoa ao mar: o camarão. É ali que ele se reproduz e serve de base da economia de ao menos 200 famílias de pescadores cadastrados na Colônia Z11. Neste ano, a pesca de camarão foi aberta oficialmente no dia 15 de janeiro.

A expectativa para 2026 é de um ano de boa safra, em função da pouca probabilidade de seca. Em anos anteriores, a Lagoa do Peixe sofreu com secas históricas. Em 2022, cerca de 50% da água secou. Já em 2023, foram mais de 90% de estiagem na lagoa. A pesca do crustáceo no local ocorre em datas flexíveis, a partir de um acordo entre o ICMBio e os pescadores, com o objetivo de garantir a sustentabilidade ambiental e a subsistência das famílias que dependem da atividade.