A rotina de salvamentos, orientações e prevenção nas praias de Capão da Canoa atravessou gerações na família Silva. Com 23 anos de corporação, o sargento Fernando da Silva, 46 anos, viu o filho, Geham Antunes Silva, 21, seguir o mesmo caminho e vestir o uniforme de guarda-vidas civil temporário nesta Operação Verão.
Ingressando no Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) em 2004, Fernando atua desde o primeiro ano na atividade de salvamento aquático. Inicialmente em águas abrigadas, passou a trabalhar no mar ainda em 2004, após concluir o curso de salva-mar. Desde então, construiu trajetória marcada por resgates e atuação direta nas guaritas do Litoral Norte durante o veraneio.
Promovido a sargento em 2014, ele deixou a rotina diária de atendimentos na linha de frente para assumir funções de gestão. Desde 2015, integra a equipe de auxiliares em Capão da Canoa, responsável pela escala, distribuição das equipes e organização operacional. “É gratificante. Eu identifiquei como meu propósito profissional trabalhar nessa área. É recompensador poder ajudar as pessoas e transferir essa experiência para os mais novos”, afirma.
Ao longo das temporadas, Fernando acumulou histórias marcantes. Entre elas, destaca o salvamento de uma adolescente de 13 anos, na região próxima à guarita 64, na Praia do Barco. A jovem havia sido arrastada por uma corrente de retorno. “Já havia cerca de dez guarda-vidas na água. Nós chegamos com apoio aéreo, visualizamos ela boiando e conseguimos resgatar com vida. Até hoje mantemos contato”, relembra.
Se hoje o sargento é responsável por coordenar equipes, entre elas a do próprio filho, a aproximação de Geham com a atividade começou ainda na infância. Criado praticamente dentro da guarita 74, acompanhava o pai durante os plantões e aproveitava cada momento para entrar no mar. “Desde criança eu queria ficar mais um pouco na água. Meu lugar favorito sempre foi o mar”, conta o jovem.
Esta é a segunda Operação Verão de Geham como guarda-vidas civil. Para chegar até ali, precisou intensificar a preparação física e a disciplina. “Não é só natação. Tem corrida, força, técnica e também a parte de contato com as pessoas, cordialidade. Eu precisei mudar rotina de treino e alimentação”, relata.
A decisão de seguir carreira, segundo ele, não foi imediata. “No início não era meu plano, mas depois eu vi que era algo que eu gostava e que combinava comigo. Hoje é meu objetivo”, afirma.
Além da atuação como guarda-vidas civil, Geham está em processo para ingressar como bombeiro militar. Já concluiu a etapa teórica do processo seletivo e se prepara para o Teste de Aptidão Física (TAF), previsto para março.
Para Fernando, acompanhar o filho na mesma profissão é motivo de orgulho e emoção. Ele participou do processo de formação de Geham e hoje o inclui nas escalas sob sua responsabilidade.
“Vivenciar o processo de formação do próprio filho é muito emocionante. Ele convive comigo desde pequeno nesse ambiente. Agora poder acompanhar a maturação profissional dele é gratificante”, afirma.
A temporada 2026 foi desafiadora para pai e filho. No Réveillon, Capão da Canoa registrou público estimado em 1,2 milhão de pessoas na praia, número recorde. Na guarita 78, onde Geham atuou, a principal demanda foi a localização de crianças perdidas em meio à multidão. “Foi uma montanha-russa de sentimentos. Teve muita criança perdida, mas felizmente todas foram encontradas. Foi ali que eu aprendi a trabalhar mesmo, principalmente na prevenção”, diz.
Embora o sargento Fernando já não esteja diariamente na água realizando resgates, sua experiência segue presente na areia, agora refletida na nova geração que ajuda a formar e, de forma especial, no próprio filho.
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