Verão

MPRS entra na Justiça contra Estado em busca de aumento de repasses ao hospital de Torres

Órgão aponta que valores atuais são insuficientes para cobrir custos de serviços como pediatria de urgência e emergência

O Ministério Público do RS (MPRS) ingressou na última sexta-feira com uma ação civil pública contra o Estado do Rio Grande do Sul, para assegurar a revisão e aumento dos repasses ao Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres, no litoral Norte. Segundo o órgão, há risco de desassistência à população e descontinuidade de serviços, especialmente no atendimento pediátrico de urgência e emergência. A medida foi tomada após três audiências realizadas pelo MPRS apresentarem tentativas frustradas de consenso.

Uma investigação apontou que os recursos previstos no contrato firmado entre o Estado e o instituto gestor do hospital, o IBSAÚDE, são insuficientes para cobrir os custos operacionais, gerando prejuízo mensal superior a R$ 1,7 milhão. Além disso, o contrato não contempla a pediatria, área que enfrenta atrasos recorrentes no pagamento de honorários médicos, conforme alerta do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers).

“O hospital é referência para os sete municípios da Comarca de Torres e atende demandas de média complexidade, além de ser porta de entrada para urgências e emergências. A situação se agrava nos meses de verão, quando a população local quadruplica, sem que haja plano de contingência adequado por parte do Estado”, destacaram os promotores de Justiça Marcelo Araújo Simões e Dinamárcia Maciel de Oliveira, que assinam a inicial.

Na ação, além de solicitar a intervenção do Conselho Regional de Medicina (Cremers) para subsidiar o processo com dados técnicos, o MPRS requer, por meio de uma liminar, que o Estado repactue o contrato, com majoração mínima de R$ 685 mil mensais para custear o pronto atendimento, incluindo pediatria, e apresente cópia dos contratos firmados com outros municípios do litoral Norte. Assim, pede que o repasse seja ajustado para R$ 1,77 milhão mensais, fixando multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

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