Verão

Passeio de vagonetas nos Molhes da Barra: como é a tradição que leva turistas mar adentro em Rio Grande

Patrimônio histórico e cultural do município oferece experiência que combina aventura, história e paisagem única

Visitantes percorrem os trilhos instalados sobre os molhes em um trajeto que dura cerca de 45 minutos
Visitantes percorrem os trilhos instalados sobre os molhes em um trajeto que dura cerca de 45 minutos Foto : Caroline Souza / Especial /CP

Seguir por trilhos estreitos, impulsionado pelo vento, em direção ao encontro do oceano com a Lagoa dos Patos é uma experiência que mistura aventura, história e paisagem única.

O passeio de vagonetas nos Molhes da Barra, em Rio Grande, leva visitantes a cerca de 4 quilômetros mar adentro, revelando um dos cartões-postais mais emblemáticos do Litoral Sul do Rio Grande do Sul.

Os Molhes da Barra são grandes estruturas de engenharia costeira, formadas por paredões de pedras, construídas para manter o canal de navegação do porto aberto e seguro.

Essenciais para a orientação e proteção dos navios que entram e saem do Porto do Rio Grande, os molhes também se tornaram um importante atrativo turístico e patrimônio histórico e cultural do município, reunindo pesca, observação da natureza e um tradicional passeio que atravessa gerações.

Como funciona

As vagonetas são carrinhos de madeira com rodas de ferro e uma vela suspensa. A bordo, os visitantes percorrem os trilhos instalados sobre os molhes em um trajeto que dura cerca de 45 minutos.

No fim do percurso, há uma pausa de aproximadamente 10 minutos para fotos e contemplação da vista. De um lado dos molhes, a imensidão do mar aberto, do outro, a vista da entrada do canal que leva à Lagoa dos Patos e ao porto de Rio Grande.

A paisagem é marcada pela constante movimentação de navios que cruzam a entrada do porto. Em determinadas épocas do ano, o passeio ainda reserva a chance de avistar leões-marinhos e outras espécies. O passeio custa R$ 100 por vagoneta, com capacidade para até cinco pessoas.

O serviço é conduzido pelos vagoneteiros, profissionais que dominam uma técnica passada de geração em geração desde 1938, quando as vagonetas começaram a ser utilizadas para turismo — antes serviam para transportar trabalhadores e ferramentas.

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A profissão de vagoneteiro

Há 15 anos trabalhando nos Molhes, o vagoneteiro Cleoci Matias, de 55 anos, destaca o orgulho de fazer parte da experiência de quem visita a região.

“É o único lugar no mundo que tem esse tipo de passeio, só aqui. Vêm turistas de vários lugares do Brasil e até de fora do país para conhecer”, afirma.

Segundo ele, a experiência varia conforme as condições climáticas. “Quando tem vento é tranquilo, a gente só vai conduzindo. Mas em dias com pouco vento o trabalho exige mais das pernas, porque tem que empurrar com mais força. As pernas viram o motor”, resume.

Mesmo assim, Cleoci garante que o esforço vale a pena, tanto para quem conduz quanto para quem visita.

Vagoneteiro Cleoci Matias, de 55 anos, trabalha nos Molhes há 15 anos | Foto: Caroline Souza / Especial / CP

Os passeios dependem das condições do tempo e podem ser suspensos em caso de chuva ou vento muito forte, priorizando a segurança dos visitantes.

O Correio do Povo visitou os Molhes da Barra durante uma viagem realizada por meio da plataforma Viva o RS, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o Sebrae RS e a Wine Locals. O projeto atua como um guia digital de turismo, conectando visitantes a experiências de natureza, cultura e história, com foco na valorização do desenvolvimento regional e das tradições locais — como o histórico passeio de vagonetas, que segue mantendo viva a identidade de Rio Grande.