Seguir por trilhos estreitos, impulsionado pelo vento, em direção ao encontro do oceano com a Lagoa dos Patos é uma experiência que mistura aventura, história e paisagem única.
O passeio de vagonetas nos Molhes da Barra, em Rio Grande, leva visitantes a cerca de 4 quilômetros mar adentro, revelando um dos cartões-postais mais emblemáticos do Litoral Sul do Rio Grande do Sul.
Os Molhes da Barra são grandes estruturas de engenharia costeira, formadas por paredões de pedras, construídas para manter o canal de navegação do porto aberto e seguro.
Essenciais para a orientação e proteção dos navios que entram e saem do Porto do Rio Grande, os molhes também se tornaram um importante atrativo turístico e patrimônio histórico e cultural do município, reunindo pesca, observação da natureza e um tradicional passeio que atravessa gerações.
Como funciona
As vagonetas são carrinhos de madeira com rodas de ferro e uma vela suspensa. A bordo, os visitantes percorrem os trilhos instalados sobre os molhes em um trajeto que dura cerca de 45 minutos.
No fim do percurso, há uma pausa de aproximadamente 10 minutos para fotos e contemplação da vista. De um lado dos molhes, a imensidão do mar aberto, do outro, a vista da entrada do canal que leva à Lagoa dos Patos e ao porto de Rio Grande.
A paisagem é marcada pela constante movimentação de navios que cruzam a entrada do porto. Em determinadas épocas do ano, o passeio ainda reserva a chance de avistar leões-marinhos e outras espécies. O passeio custa R$ 100 por vagoneta, com capacidade para até cinco pessoas.
O serviço é conduzido pelos vagoneteiros, profissionais que dominam uma técnica passada de geração em geração desde 1938, quando as vagonetas começaram a ser utilizadas para turismo — antes serviam para transportar trabalhadores e ferramentas.
- Costa Doce gaúcha ganha força no mapa do turismo com natureza, cultura e gastronomia
- Rota dos Açores conta oficialmente com cinco municípios do Vale do Taquari
- Casa Rosada: conheça o prédio mais antigo de Porto Alegre que guarda a memória da política do RS
A profissão de vagoneteiro
Há 15 anos trabalhando nos Molhes, o vagoneteiro Cleoci Matias, de 55 anos, destaca o orgulho de fazer parte da experiência de quem visita a região.
“É o único lugar no mundo que tem esse tipo de passeio, só aqui. Vêm turistas de vários lugares do Brasil e até de fora do país para conhecer”, afirma.
Segundo ele, a experiência varia conforme as condições climáticas. “Quando tem vento é tranquilo, a gente só vai conduzindo. Mas em dias com pouco vento o trabalho exige mais das pernas, porque tem que empurrar com mais força. As pernas viram o motor”, resume.
Mesmo assim, Cleoci garante que o esforço vale a pena, tanto para quem conduz quanto para quem visita.
Os passeios dependem das condições do tempo e podem ser suspensos em caso de chuva ou vento muito forte, priorizando a segurança dos visitantes.
O Correio do Povo visitou os Molhes da Barra durante uma viagem realizada por meio da plataforma Viva o RS, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o Sebrae RS e a Wine Locals. O projeto atua como um guia digital de turismo, conectando visitantes a experiências de natureza, cultura e história, com foco na valorização do desenvolvimento regional e das tradições locais — como o histórico passeio de vagonetas, que segue mantendo viva a identidade de Rio Grande.