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Marchezan fala em renascimento do Carnaval de Porto Alegre com evento “humilde, mas organizado”

Prefeito parabenizou entidade pela organização de desfiles sem verba pública

Por
Correio do Povo

Primeira noite de desfiles no Porto Seco ocorre nesta sexta

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“Humilde, mas organizado”. Essas são as palavras usadas pelo prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr., para definir o Carnaval deste ano, cujos desfiles têm início na noite desta sexta-feira, a partir das 22h, no Complexo Cultural do Porto Seco. Em entrevista à Rádio Guaíba, o tucano enfatizou o fato de que o evento será feito sem dinheiro público e parabenizou a União das Escolas de Samba do Grupo de Acesso de Porto Alegre (UECGPA) por realizá-lo “sem ódio e sem raiva” pela falta de apoio financeiro do Município. “Espero que seja um renascimento, mesmo com todas as dores do parto, com mais credibilidade, capacidade e representatividade, de oportunidades de buscar novamente um financiamento privado”, afirmou.

O peessedebista disse que fez tudo que estava ao alcance da Prefeitura. "Hoje, as escolas são responsáveis pelo Porto Seco. Quando entramos na prefeitura, havia um repasse de R$ 7 milhões para a Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa) e apontamos a falta de prestação de contas. Quando nos deparamos com a situação, efetivamente decidimos que não teria como fazer essa transferência, que foi suspensa, e avisamos as escolas. Em 2018, fizemos o termo de permissão de uso do espaço para as escolas usarem", explicou sobre a situação da área localizada no bairro Rubem Berta, Zona Norte da cidade.

O espaço de 27 hectares, considera Marchezan, não é muito aproveitado por conta de sua localização e difícil acesso. “Eventualmente tem algum treinamento de direção além dos desfiles. Mas foi uma escolha, muitas escolas acham que têm mais pontos positivos do que negativo ficar lá. Há os barracões para colocar os carros. Se o carnaval deve ser no Porto Seco, ou não, deve ser respondido pela prefeitura, pelas escolas e pela população”, analisou. “Ou viabilizamos o espaço com outros estruturas ou permitimos que investimentos de terceiros sejam feitos para deixá-lo mais atrativo”, completou.

Liespa, que até o ano passado organizou o desfile de Carnaval na cidade, informou no final de janeiro que não participaria do evento em 2019. Antes de anunciar sua retirada, a Liga tentou uma parceria com uma empresa do Rio Janeiro para exploração comercial da área, condição básica para que a organização assumisse também o desfile das escolas de samba. A organização não deu uma resposta positiva. A verba para a realização da grande festa popular ocorreu de forma independente e veio da venda de camarotes. Não haverá arquibancadas, e a entrada será gratuita. Portanto, quem quiser participar, deve levar sua cadeira para sentar.

Confrontos na Cidade Baixa

Os conflitos entre frequentadores do bairro Cidade Baixa e policiais da Brigada Militar também foram comentados pelo prefeito. Marchezan ressaltou que os envolvidos no confronto não tinham autorização legal para realizar um evento na rua, mas garantiu que há liberdade de circularem pelas vias públicas. “É um dilema mundial. Queremos a ocupação dos espaços públicos porque entendemos que traz mais segurança, mas, por outro lado, temos a questão da tranquilidade do moradores, que é afetada. Temos conversado muito no sentido de aumentar a presença física no início da ocorrência para inibir as pessoas, para que aquelas que causam desordem sejam repelidas”, disse.

Ele explicou que o calendário oficial do Carnaval de rua de Porto Alegre ocorreu por meio de um edital e posterior credenciamento dos blocos envolvidos. “Fizemos um escritório de eventos, todo empreendedor avisa todas estruturas municipais que podem ter qualquer relação e conversam com Brigada Militar. Temos uma série de requisitos, tem um termo de responsabilidade, sabemos que hora começa e termina”, elucidou. “A confusão, na quase totalidade, ocorre em eventos que não são credenciados. Nossa posição é estimular que eles se credenciam e deixar que esses regulados, porque tem um responsável e uma regra que se cumpra. Nesses casos, ocorreu num feriado onde nenhum bloco se interessou”, concluiu.

Para os próximos anos, Marchezan assinalou que existe a possibilidade de que o evento mude de local. O destino seria a revitalizada Orla do Guaíba e seus arredores, por ser uma área menos habitada, o que causaria menos danos à população.

Saint Patrick’s Day

A celebração ao dia de São Patrício (Saint Patrick’s Day), padroeiro da Irlanda, se tornou um fenômeno mundial e também foi exportado pela Capital. Para a realização de festas na cidade relacionadas à data, a lógica, explica Marchezan, foi a mesma do Carnaval. “São 11 eventos em seis bairros. Não tenho números exatos, mas foram cerca de 20 solicitados. Três foram cancelados ao longo do pedido pelas exigências e outros três foram indeferidos porque entendemos que não eram convenientes”, analisou. “É uma festa que está cada vez mais porto-alegrense”, concluiu.