A 23ª edição do Festival Internacional Piriápolis de Película foi marcada por homenagens emocionantes, encontros entre profissionais do audiovisual e uma programação diversificada, que reuniu mais de 50 filmes no tradicional Argentino Hotel, no Uruguai.
A exibição, fora de competição, do longa brasileiro “Cinco tipos de Medo”, de Bruno Bini, foi uma das mais envolventes e comentadas do evento. Com sua narrativa potente e seu roteiro criativo e surpreendente a partir da montagem talentosa e premiada, o filme foi motivo de longas conversas e aplausos. Também foi bem recebido o outro longa brasileiro apresentado, “A Equação”, de Guilhermo Marcondes.
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Destaques e homenagens
Outro dos destaques do evento foi a Competição Ibero-Americana de Curtas-Metragens, na qual os júris Oficial e Juvenil tiveram a missão de escolher os filmes vencedores. A edição também prestou tributos a três importantes nomes da cultura cinematográfica: o ator e humorista uruguaio Carlos Perciavalle, o cineasta argentino Carlos Sorín e o realizador uruguaio de animação Walter Tournier.
Mesmo com o frio, o vento e a chuva fina, o festival atraiu um público expressivo, que lotou diversas sessões e participou das atividades oferecidas gratuitamente. Diretores, produtores, artistas, críticos, autoridades e espectadores encontraram no Argentino Hotel um espaço privilegiado para compartilhar experiências, discutir a produção audiovisual e celebrar a diversidade do cinema ibero-americano.
Entre os momentos mais marcantes esteve a homenagem a Carlos Perciavalle, que apresentou, ao lado do diretor Alejandro Maci, o documentário “El último viaje a China”. O filme aborda a vida e a trajetória artística de China Zorrilla, uma das grandes atrizes e comediantes uruguaias, interpretada e lembrada com carinho por diferentes gerações. A produção, que conta também com a participação da atriz Soledad Silveyra, foi recebida com aplausos entusiasmados e manifestações de afeto.
No dia seguinte, Perciavalle participou de uma conversa sobre China Zorrilla, memória, cinema e novas gerações. O encontro reuniu também Alejandro Maci e proporcionou relatos divertidos, lembranças emocionantes e muitas gargalhadas. Aos 85 anos, Perciavalle demonstrou sua reconhecida inteligência, lucidez e capacidade de conquistar o público com seu humor.
Outro homenageado foi Walter Tournier, referência e pioneiro da animação cinematográfica uruguaia, reconhecido especialmente pelo domínio da técnica de stop motion. Ao agradecer o tributo, o realizador defendeu o reconhecimento da animação como uma expressão artística de grande relevância, que merece ocupar um lugar de destaque na indústria audiovisual. A homenagem foi acompanhada pela exibição de quatro de seus curtas-metragens: “Nuestro pequeño paraíso”, “Apesar de todo”, “Chatarra” e “Alto el juego”, obras que evidenciam a criatividade e a importância de sua contribuição para o cinema.
O diretor e roteirista argentino Carlos Sorín também recebeu uma homenagem especial. Em seu agradecimento, recordou experiências vividas no Uruguai e episódios curiosos de viagens e filmagens. Na sequência, o festival exibiu “Historias mínimas”, longa-metragem ambientado na Patagônia que conquistou diversos prêmios e permanece como uma das obras mais queridas de sua filmografia.
Recordações e exibições especiais
A programação também reservou um momento de emoção para recordar Jackie Rodríguez Stratta, jornalista, locutor, publicitário e produtor uruguaio, falecido um ano antes. Sua ligação com o festival e com o Argentino Hotel foi lembrada com carinho, em reconhecimento à sua trajetória e à sua contribuição para a comunicação e a cultura do país.
Também tiveram sessões das mais aguardadas estiveram “El infierno está encantador”, “Gulp”, “1985”, de Lisandro Carcavallo, documentário sobre a criação do primeiro álbum de Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota e a estreia ao vivo da banda no lendário espaço Cemento, em Buenos Aires. Também ganhou destaque “Moebius@”, de Gustavo Mosquera R., que completou 30 anos de seu lançamento justamente no dia da exibição no festival. A obra de ficção científica, inquietante e ainda atual, reafirmou sua força narrativa diante do público.
Além das homenagens e exibições, o evento promoveu debates sobre formação, criação e circulação do cinema como instrumento de desenvolvimento cultural, reunindo representantes de instituições e profissionais do setor. O ciclo Kino Club também conquistou os espectadores com filmes em Super 8 mm, curtas musicais, animações e performances ao vivo.
A programação incluiu ainda produções brasileiras, uruguaias, argentinas, francesas, mexicanas e de outras origens, ampliando o diálogo entre diferentes cinematografias.
Ao reunir competição, reconhecimento artístico, memória e intercâmbio cultural, a 23ª edição do Festival Internacional Piriápolis de Película reafirmou sua importância no calendário audiovisual da região. Mais do que apresentar filmes, o evento celebrou trajetórias fundamentais, aproximou realizadores e espectadores e fortaleceu o cinema como espaço de encontro, reflexão e valorização da cultura ibero-americana.
Vencedores da 23ª edição
O Júri Oficial formado por Martín Imer (Uruguay), Anahí Martella (Argentina) e Pablo Praino (Uruguay) escolheu os vencedores. Confira a lista abaixo dos vencedores:
MEJOR CORTO DEL FESTIVAL
- “Afasia” de Álex Marín (España)
- "Por su riqueza de recursos cinematográficos para acercarse a una historia de hondo carácter humano y actual, sumado a muy buenos trabajos actorales".
MEJOR CORTO URUGUAYO
- “Bichos locos” de Juan Pablo Bornio (Uruguay)
- "Por la originalidad con la que trabaja un tema existencial a través de una mirada casi infantil y la utilización de un texto clásico".
MENCIONES
- “Corrientes de vida” de Tatiana McCabe (Uruguay/Reino Unido)
- "Por su acercamiento a una labor humanitaria con respeto y empatia, sin la utilización de convencionalidades del género y una bella fotografía".
- James Snyder director y guionista de “Bye-Lingo” (Estados Unidos/Uruguay)
- "Por su labor como creador total dentro de una historia con claro tinte personal, pero transformado en historia universal con humor y personalidad".
- Simón Moreno (actor) de “Los reyes no son las padres” de Alberto Leal (España)
- "Por captar a su corta edad la problemática trascendente y adulta de la historia con sensibilidad e intuición, revelando un talento actoral a desarrollar".
- Sol Fernández-Prada (guionista y directora) de “La voz de la conciencia de un pez” (Uruguay)
- "Por retratar, con imágenes de sugestivo poder orinirico, la indiferencia del mundo ante una juventud que parece desencontrada con la sociedad".
- Jurado Estudantil do Centro Universitario Regional del Este (CURE, Maldonado) conformado por Gonzalo Acuña, Catherine Caballero y Lucas Piñeyro
MEJOR CORTOMETRAJE DEL FESTIVAL
- “Complacientes anónimos” de Pedro Duarte (Uruguay)
MEJOR CORTO URUGUAYO
- “Bichos Locos” de Juan Pablo Bornio (Uruguay)
MENCIONES ESPECIALES
- “Historia de Punta Fría” de Ayelén Garcia (Uruguay)
- “Huellas” de Aníbal Nario (Uruguay)
- “Todo lo que Tengo” de Isabella D" Albora (Uruguay)