Cara leitora,
“A razão não grita. Ela senta e espera.”
Li essa frase em um post de Instagram e não consegui mais largar. Não porque seja bonita, embora seja. Mas porque diz, em poucas palavras, algo que sinto há muito tempo sem conseguir nomear.
Já reparou que a gente costuma desconfiar do silêncio?
Vivemos em um tempo em que quem fala primeiro parece mais certo, quem reage mais rápido parece mais seguro, quem se posiciona mais alto parece mais forte. Como se a intensidade fosse sinônimo de verdade.
Mas não é.
Cresci ouvindo que o grito é o argumento do idiota. Que quando alguém levanta a voz no meio de uma discussão, não é porque tem mais razão. É porque percebeu que está perdendo. E, sem ter o que dizer, usa o volume como força, como se gritar mais alto pudesse substituir o que falta.
Tem quem ria. E tem quem se reconheça.
Tem gente que já esteve dos dois lados, já foi quem gritou, e já foi quem ficou em silêncio enquanto alguém gritava, e sentiu, lá dentro, que a razão não precisava disputar espaço para existir.
Mas o silêncio, mesmo desconfortável, traz algo raro. Uma certeza.
Um tipo de certeza que não disputa espaço, que não levanta a voz, não corre atrás, não tenta convencer ninguém. Ela apenas sustenta. É a razão agindo sem precisar se impor.
E sustentar, quase sempre, parece espera.
Mas nem toda espera é ausência de movimento. Algumas são exatamente o contrário, são decisões já tomadas por dentro, guiadas por uma razão que já encontrou seu lugar, e que não precisa mais de validação por fora.
Em uma das minhas andanças, me deparei com uma tradição curiosa, pessoas escrevem cartas que talvez nunca sejam respondidas. Não há garantia, não há prazo, não há sequer a certeza de que alguém vá ler.
E ainda assim, escrevem.
- A bagagem invisível
- As prateleiras da amizade
- Quando tudo desaba, a culpa pode ser da percepção
- O que a gente protege quando diz que está bem
Porque aquilo precisa ser dito, mesmo que ninguém responda.
É o que acontece no filme Cartas para Julieta. E, de certa forma, é o que acontece naquele muro em Verona de verdade. Pessoas sustentadas pela fé, não na reciprocidade, mas no próprio gesto.
Não é sobre romance. É sobre o que acontece quando você age sem precisar de retorno imediato para se sentir válido. Quando a entrega não depende do aplauso, nem da resposta. Quando você escreve a carta mesmo sabendo que talvez ninguém leia.
Mas preciso ser honesta com você também.
Nem toda espera é força.
Algumas são medo educado, aquele que aprendeu a se comportar bem, a não incomodar, a não ocupar espaço demais.
Outras são orgulho disfarçado de serenidade, aquela postura de quem não precisa de nada, mas está, na verdade, só se protegendo de se expor.
E tem ainda a espera que é, no fundo, dificuldade de encarar uma decisão, que fica sentada não por clareza, mas porque levantar exigiria uma coragem que ainda não chegou.
A diferença entre elas é difícil de ver de fora. Mas você sabe, lá dentro, qual é a sua.
A razão não grita. Mas também não se esconde, não implora, não negocia, não se explica para quem não merece a explicação.
Ela espera quando ainda faz sentido esperar. E quando não faz mais, ela levanta, sem barulho, sem discurso, sem precisar que ninguém entenda.
Porque quando é a razão que senta, ela não está aguardando o outro.
Ela já decidiu, sobre si.
Elisa Fernandez é mãe, empresária e acumula experiências como executiva em entidades empresariais e nas áreas de comunicação, gestão, marketing e publicidade.
