Viajar nem sempre é sobre um roteiro lotado, fazer mil programas em um só dia e voltar para casa cansado. Às vezes, viajar é parar. É se permitir desacelerar, respirar e simplesmente dormir bem. O chamado turismo do sono, tendência que já desponta em destinos internacionais, tem espaço na Serra Gaúcha, e eu tive a oportunidade de vivê-lo em Gramado, no Wood Hotel.
😴 O sono como protagonista da viagem
O Wood, que desde fevereiro passou a receber apenas hóspedes com mais de 14 anos, lançou o Wood Dreaming, primeira experiência do gênero no Brasil, em parceria com a CiaDoSono. O objetivo? Tratar o sono com a seriedade que ele merece, criando um ritual para que a noite de descanso seja tão memorável quanto qualquer passeio.
Minha vivência começou pela escolha do travesseiro ideal dentro da Dream Box, uma caixinha charmosa com cinco mini travesseiros diferentes. Depois, veio o convite ao “desplugue”: deixei meu celular guardado em uma caixa que dizia “Unplug-se”, enquanto ele carregava por indução.
À noite, encontrei o quarto preparado especialmente para o sono: luz suave, playlist relaxante, chá de boa noite e até um creme hidratante para massagem.
🍝 Roberta Sudbrack em Gramado
Mas o Wood não é apenas sobre dormir bem. Dentro do hotel está o Ocre, novo restaurante da chef Roberta Sudbrack, um dos nomes mais respeitados da gastronomia brasileira. O restaurante foi inaugurado em abril e é aberto ao público externo.
Roberta aprendeu o valor do ofício empurrando a carroça da avó Iracema pelas ruas de Brasília. A avó preparava os molhos, os acompanhamentos e a salsicha; ela vendia. Ali, ainda jovem, descobriu que comida é mais que receita: é afeto, é sustento, é caminho. Anos depois, essa memória retorna ao prato. O clássico cachorro-quente da infância, aparece reinventado em duas versões autorais, como o Wood Dog, com brioche artesanal, raclette derretido e mostarda forte. Uma lembrança transformada em experiência gastronômica.
Roberta acumulou feitos notáveis. Durante sete anos, comandou a cozinha do Palácio da Alvorada, sendo a primeira chef da história da residência oficial da Presidência da República. Ali cozinhou para líderes mundiais, entre eles o rei Charles da Inglaterra e presidentes de diversas nações.
Em 2012, foi escolhida como chef da delegação brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres, repetindo o papel quatro anos depois no Rio. Já em 2015, ao completar 20 anos de carreira, foi eleita a melhor chef mulher da América Latina pela revista inglesa Restaurant. Seu restaurante Roberta Sudbrack, fechado em 2016, chegou a conquistar uma estrela no Guia Michelin. Atualmente, além do Ocre, a chef gaúcha comanda o “Sud, o Pássaro Verde”, no Rio de Janeiro.
🍴 O jantar no Ocre
No Ocre, vivi uma experiência gastronômica incrível. O bar de charcutaria é protagonista: embutidos artesanais, queijos brasileiros e acompanhamentos preparados com técnica e afeto. Os produtos são cortados na hora com uma fatiadora à manivela que deixa o embutido bem fininho. Provei a cecina de wagyu, e foi a melhor charcutaria que já experimentei.
De prato principal, o garçom me sugeriu o prato preferido dele, o famoso Frango Caipira assado no forno a carvão, servido com batatas e verduras orgânicas assadas. Também provei o entrecôte "au poivre" de angus, preparado no forno a carvão e acompanhado de molho poivre e batatas fritas. Roberta Sudbrack transforma ingredientes simples em experiências memoráveis. Nunca pensei que o frango me conquistaria mais do que o entrecôte. Os dois pratos estavam deliciosos, mas o frango da Roberta é realmente diferenciado.
De sobremesa, finalizei com a panqueca souflê servida com sorvete de nata e doce de leite quente. Não tenho outra palavra para descrever além de sensacional.
No final do jantar tive a oportunidade de conhecer Roberta pessoalmente. Quando perguntei qual era o prato preferido dela no Ocre, ela respondeu: o Spaetzle com fonduta de queijo brasileiro e guanciale crocante.
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Entre o descanso e a memória afetiva
O nome Ocre já revela muito: é o tom quente que colore a madeira, o fogo e as tábuas que chegam generosas à mesa. É mais que uma cor, é acolhedor e vibrante. É bar para quem gosta de aperitivar e restaurante para quem prefere se demorar. Seja para provar um sanduíche autoral ou para se entregar a um menu completo, o resultado é sempre o mesmo: a vontade de voltar.
Gramado mostra, com o Wood Hotel e o Ocre, que viajar também pode ser sobre desacelerar. Dormir bem e comer bem são experiências transformadoras.
Mariana Reck é criadora de conteúdo sobre viagens no Instagram, consultora de milhas aéreas e embaixadora do Viva o RS, projeto em parceria com o Sebrae, Setur RS e Wine Locals. Formada em Sistemas de Informação, compartilha experiências e dicas para tornar cada viagem mais acessível e inesquecível.
