O cérebro muda no inverno. Durante os dias frios da estação, algumas mudanças de comportamento indicam alterações no funcionamento cerebral: mais cansaço, dificuldade de acordar, queda na produtividade, aumento da vontade de ficar isolado e sensação de desânimo sem uma causa aparente.
Tais alterações psicológicas têm relação direta com as mudanças ambientais típicas do inverno, como explica a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry. “A redução da luz solar interfere diretamente na produção de neurotransmissores e hormônios ligados ao humor, energia e disposição. O cérebro literalmente funciona de maneira diferente em períodos mais frios e com menos luminosidade”, afirma a neurocientista.
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Segundo a especialista, dias mais escuros favorecem o aumento da melatonina, hormônio relacionado ao sono, enquanto a menor exposição solar pode reduzir a produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar e motivação. O resultado é um cérebro mais lento, com maior tendência ao cansaço físico e mental.
“O inverno altera nosso ritmo biológico. Muitas pessoas sentem mais dificuldade de concentração, redução da energia mental e até mudanças emocionais importantes. O corpo entende o ambiente frio como um convite ao recolhimento”, diz Daiana.
Alterações de rotina também influenciam diretamente esse processo. No frio, as pessoas costumam se expor menos ao sol, praticar menos atividade física e permanecer mais tempo em ambientes fechados, fatores que impactam o funcionamento cerebral e emocional. “O cérebro depende de estímulos ambientais para manter equilíbrio emocional e cognitivo. Menos movimento, menos luz natural e mais isolamento podem aumentar a sensação de fadiga e desânimo”, destaca.
Depressão sazonal
Em casos mais severos, o desânimo sentido durante esta época pode indicar um quadro de depressão sazonal. Esse subtipo da doença, que surge entre o outono e o inverno e desaparece após as estações mais frias, acontece com maior incidência em mulheres jovens entre 18 e 30 anos com histórico familiar da doença, conforme o Laboratório de Farmacologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas mais comuns da depressão sazonal são:
- Apatia
- Diminuição da atividade
- Isolamento social
- Diminuição da libido
- Sonolência
- Aumento do apetite e “fissura” por carboidratos
- Ganho de peso
O diagnóstico de depressão sazonal parte da repetição desses episódios por dois anos consecutivos durante as estações frias, sem a ocorrência de episódios fora dessas estações nesse período.
Cheiros familiares para conforto
Quando o desânimo não é clínico, mas uma sensação passageira no inverno, o olfato pode ajudar a recuperar o bem-estar. De acordo com a neurocientista e aromaterapeuta Daiana, os aromas têm conexão direta com o sistema límbico, região cerebral ligada às emoções, à memória e ao comportamento.
Isso explica por que certos cheiros típicos do inverno podem provocar sensação imediata de conforto emocional. “Cheiros como canela, café, baunilha, madeira e chocolate quente ativam memórias afetivas e sensação de acolhimento. O cérebro cria associações emocionais muito fortes através do olfato”, afirma a especialista.
Além dos aromas de conforto, alguns óleos essenciais podem ajudar a estimular atenção, foco e disposição mental durante os dias frios. Entre os mais indicados, Daiana destaca limão, pimenta-preta, pimenta-rosa e manjericão.
