Hoje é dia de rock, bebê: 20 músicas favoritas do Bella Mais

De Elvis Presley e Rita Lee a Metallica, Pitty e Arctic Monkeys, a seleção das colunistas reúne clássicos, nostalgia, atitude e histórias pessoais

Sister Rosetta Tharpe apresentada como a madrinha do rock e apontada como uma das precursoras do gênero
Sister Rosetta Tharpe apresentada como a madrinha do rock e apontada como uma das precursoras do gênero Foto : Divulgação / CP

Antes de se transformar em gênero musical, comportamento e símbolo de rebeldia, o rock nasceu da mistura. Suas origens remontam aos Estados Unidos, na passagem dos anos 1940 para a década de 1950, a partir do encontro entre ritmos afro-americanos, especialmente o rhythm and blues e a música gospel, com influências do country e do jazz.

Artistas como Sister Rosetta Tharpe, frequentemente apontada como uma das precursoras do gênero e apresentada como a madrinha do rock, Chuck Berry, Fats Domino e Bo Diddley foram fundamentais para a construção da sonoridade que logo conquistaria a juventude. Em uma sociedade ainda profundamente marcada pela segregação racial, a circulação dessa música também ajudou a romper barreiras entre públicos negros e brancos.

O radialista norte-americano Alan Freed teve papel importante nessa popularização ao adotar, no início dos anos 1950, a expressão rock and roll em seus programas. Mais do que um novo som, o gênero tornou-se uma forma de questionar convenções sociais, padrões de comportamento e valores conservadores.

Nas décadas seguintes, o rock ganhou o mundo e passou por diferentes transformações. Beatles e Rolling Stones ajudaram a ampliar sua projeção internacional nos anos 1960, enquanto bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen e AC/DC exploraram novas possibilidades sonoras. O gênero ainda deu origem ou abriu espaço para movimentos como o punk, o heavy metal, o hard rock, o grunge e o rock alternativo.

No Brasil, um dos marcos iniciais ocorreu em outubro de 1955, quando Nora Ney, uma das grandes intérpretes do samba-canção, gravou em inglês “Rock Around the Clock”. Nas décadas seguintes, a guitarra elétrica ganhou espaço com movimentos como a Jovem Guarda e a Tropicália, enquanto grupos como o Made in Brazil ajudaram a fortalecer vertentes mais pesadas do gênero.

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Nos anos 1980, o rock brasileiro alcançou enorme projeção e passou a ocupar rádios, programas de televisão e grandes casas de shows. Brasília tornou-se um importante centro criativo, com o surgimento de bandas como Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial, mas a efervescência não ficou restrita à capital federal.

O período também consolidou nomes de diferentes cenas do país, entre eles Os Paralamas do Sucesso, Ira!, Titãs, Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha e RPM. Com estilos próprios, essas bandas transformaram inquietações políticas, conflitos afetivos, mudanças de comportamento e experiências urbanas em letras que atravessaram gerações.

Em 1985, a primeira edição do Rock in Rio reforçou essa consolidação. Durante dez dias, o festival reuniu atrações internacionais como Queen, AC/DC, Iron Maiden, Yes e Nina Hagen, além de artistas brasileiros como Os Paralamas do Sucesso, Blitz e Kid Abelha. O evento demonstrou que o país tinha público e estrutura para receber espetáculos musicais de grandes proporções.

Décadas depois, o rock continua atravessando gerações, incorporando novas sonoridades e ocupando um lugar particular na memória de cada ouvinte. Para marcar o Dia do Rock, celebrado nesta segunda-feira, 13 de julho, as colunistas do Bella Mais abriram suas playlists e revelaram músicas associadas a energia, mensagens de força, nostalgia, conquistas e momentos especiais. A seleção reúne 20 faixas e passa pelo rock clássico, hard rock, punk, heavy metal, indie, rock alternativo e diferentes fases da produção brasileira.

Confira a seleção do Bella Mais

Andréa Fidelis: mensagens de esperança e atitude

A playlist de Andréa Fidelis começa com “If I Can Dream”, de Elvis Presley, segue com “Try”, de P!nk, e chega à irreverência de Rita Lee em “Cor-de-Rosa Choque”.

As três escolhas têm como ponto de encontro a força das mensagens. Para Andréa, são músicas capazes de transmitir ideias bonitas e inspiradoras, ainda que recorram a linguagens e sonoridades bastante diferentes.

Adriana Haas: o rock como fonte de energia

Guitarras intensas e muita atitude conduzem a seleção de Adriana Haas. Ela escolheu “You Shook Me All Night Long”, do AC/DC, “Sheena Is a Punk Rocker”, dos Ramones, e “Sad but True”, do Metallica.

A sequência percorre o hard rock, o punk e o heavy metal, três vertentes que ajudaram a construir diferentes formas de rebeldia dentro do gênero. Para Adriana, porém, o critério é direto: são músicas que a enchem de energia.

É uma playlist para aumentar o volume, esquecer por alguns minutos a delicadeza da vida adulta e aceitar que certas tarefas cotidianas ficam mesmo mais épicas ao som de Metallica.

Marina Käfer: intensidade no rock brasileiro

Marina Käfer voltou-se ao rock nacional ao escolher “Equalize”, de Pitty, “Um Minuto para o Fim do Mundo”, do CPM 22, e “Acaso”, dos Titãs.

A seleção atravessa diferentes momentos da produção brasileira e reúne canções marcadas por intensidade. Pitty e CPM 22 foram nomes importantes para uma geração que encontrou no rock dos anos 2000 uma linguagem direta para falar de identidade e amadurecimento.

Com os Titãs, Marina também estabelece uma ponte com uma banda que acompanhou as transformações do rock brasileiro desde os anos 1980.

Aline Busch: do indie internacional ao rock gaúcho

Aline Busch combinou duas referências do indie rock internacional com uma representante da cena gaúcha. Suas escolhas foram “Reptilia”, do The Strokes, “Fluorescent Adolescent”, do Arctic Monkeys, e “Mesmo que Mude”, da banda Bidê ou Balde.

The Strokes e Arctic Monkeys ajudaram a renovar o interesse pelo rock de guitarras nos anos 2000, dialogando com uma geração que conheceu novas bandas tanto pelos discos quanto pela internet.

Já a presença da Bidê ou Balde aproxima a seleção do Rio Grande do Sul. Formada em Porto Alegre, a banda construiu uma trajetória associada ao rock alternativo, às letras afetivas e ao humor característico de parte da produção musical gaúcha.

Luise Menick: canções que despertam nostalgia

A memória afetiva orientou as escolhas de Luise Menick. A colunista selecionou “The Zephyr Song”, do Red Hot Chili Peppers, “Do I Wanna Know?”, do Arctic Monkeys, e “Não Sei Viver sem Ter Você”, do CPM 22.

São músicas que, segundo ela, trazem nostalgia. A combinação passa pelo rock alternativo norte-americano, pelo indie britânico e pelo rock brasileiro dos anos 2000.

A presença de Arctic Monkeys e CPM 22 também mostra como determinadas bandas se tornaram referências compartilhadas entre diferentes ouvintes da seleção. Mudam as histórias, mas alguns refrões parecem guardar uma habilidade especial para transportar qualquer pessoa de volta a uma fase da vida.

Elisa Fernandez: quando os ídolos se tornam parte da história

Elisa Fernandez escolheu “Meu Erro”, dos Paralamas do Sucesso, “She”, de Elvis Costello, e “Mon Soleil”, interpretada por Ashley Park.

Entre as músicas, “Meu Erro” ocupa um espaço especialmente afetivo. Os Paralamas do Sucesso marcaram a geração de Elisa e, por causa de seu trabalho, ela teve a oportunidade de conhecer a banda há mais de 30 anos.

Desde então, perdeu a conta de quantos shows acompanhou e construiu uma proximidade pouco comum com os músicos. A experiência permitiu que os artistas admirados à distância também passassem a fazer parte de sua trajetória pessoal.

Ao lado do rock brasileiro dos Paralamas e da composição associada a Elvis Costello, “Mon Soleil” leva a seleção para além das fronteiras tradicionais do gênero.

Mariana Reck: músicas ligadas à dança e às conquistas

Para Mariana Reck, rock e movimento estão diretamente conectados. Ela escolheu “Beautiful Day”, do U2, e “It’s My Life”, do Bon Jovi, duas canções conhecidas pela energia expansiva e pelos refrões feitos para grandes públicos.

“Beautiful Day” foi usada por Mariana em uma competição de dança e também escolhida para sua formatura. Além da sonoridade, a letra contribuiu para que a música permanecesse ligada a momentos importantes de sua vida.

“It’s My Life” também fez parte de uma apresentação em uma competição de dança. Na ocasião, a irmã de Mariana foi a protagonista da coreografia, e o grupo conquistou o primeiro lugar. As duas faixas transformaram-se, assim, em registros pessoais de celebração, convivência familiar e conquista.

Hoje é dia de rock, bebê | Bella Mais

  1. If I Can Dream — Elvis Presley

  2. Try — P!nk

  3. Cor-de-Rosa Choque — Rita Lee

  4. You Shook Me All Night Long — AC/DC

  5. Sheena Is a Punk Rocker — Ramones

  6. Sad but True — Metallica

  7. Equalize — Pitty

  8. Um Minuto para o Fim do Mundo — CPM 22

  9. Acaso — Titãs

  10. Reptilia — The Strokes

  11. Fluorescent Adolescent — Arctic Monkeys

  12. Mesmo que Mude — Bidê ou Balde

  13. The Zephyr Song — Red Hot Chili Peppers

  14. Do I Wanna Know? — Arctic Monkeys

  15. Não Sei Viver sem Ter Você — CPM 22

  16. Meu Erro — Os Paralamas do Sucesso

  17. She — Elvis Costello

  18. Mon Soleil — Ashley Park

  19. Beautiful Day — U2

  20. It’s My Life — Bon Jovi