Blazer do PP ao XLG: modelagem para diferentes corpos

Marca Quintess investe em estudos de proporções para criar peças que valorizam a diversidade e vestem diferentes silhuetas

Blazer da Quintess foi desenvolvido do PP ao XLG a partir de estudos de modelagem e proporções corporais
Blazer da Quintess foi desenvolvido do PP ao XLG a partir de estudos de modelagem e proporções corporais Foto : Marketing / Divulgação / CP

Duas mulheres podem vestir o mesmo tamanho e, ainda assim, ter medidas bastante diferentes de ombros, busto, cintura e quadril. É justamente essa diversidade de proporções que desafia a modelagem tradicional da moda, normalmente construída a partir de um molde padrão que é ampliado ou reduzido para formar a grade de tamanhos.

A partir dessa questão, a Quintess, marca do Grupo Posthaus, de Blumenau (SC), desenvolveu um blazer disponível do PP ao XLG. Batizada pela empresa de “Blazer Perfeito”, a peça resulta de estudos de medidas corporais, proporções e testes de vestibilidade realizados para entender como uma mesma modelagem se comporta em diferentes corpos.

Com os dados levantados, a modelagem matriz foi revista para contemplar as variações encontradas. A proposta é que a consumidora possa consultar as próprias medidas antes da compra e identificar qual tamanho apresenta maior compatibilidade com seu corpo.

Da calça jeans à alfaiataria

O projeto dá continuidade a uma pesquisa iniciada pela marca com a chamada “Calça Perfeita”. Lançado em fevereiro, inicialmente nos tamanhos 38 a 56, o jeans teve o primeiro lote esgotado em menos de 36 horas, segundo a Quintess. A procura também levou a empresa a acrescentar posteriormente o tamanho 36 à grade.

Agora, o desafio foi levar a mesma lógica para uma peça de alfaiataria. “A alfaiataria exige um olhar muito atento para proporção e ajuste, especialmente em um blazer, onde cada detalhe influencia o resultado. O trabalho esteve em manter as características que definem uma boa peça em toda a grade e, ao mesmo tempo, oferecer uma orientação de medidas mais clara, para que cada mulher consiga fazer uma escolha mais assertiva”, explica Ana Damásio, estilista do Grupo Posthaus.

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Comprar sem provar aumenta o desafio da modelagem

A diversidade de corpos ganha ainda mais importância quando a roupa é comprada pela internet. Sem experimentar a peça antes, a consumidora depende das informações de medidas apresentadas pela marca para avaliar tamanho e caimento. A questão se torna especialmente relevante em tecidos planos, que apresentam pouca ou nenhuma elasticidade e, por isso, exigem maior precisão de modelagem.

A influenciadora plus size Ana Luiza Palhares, conhecida nas redes sociais como Cinderela de Mentira, participou das etapas de desenvolvimento do blazer e contribuiu com observações sobre modelagem e vestibilidade.

Ela já havia colaborado no projeto da calça jeans e considera importante que a discussão avance para outras categorias de roupa. “Ter voz mais uma vez nessa parceria, agora com o blazer, mostra que esse olhar para diferentes corpos não ficou restrito a um único produto. A alfaiataria tem suas particularidades e, justamente por isso, ver uma marca repensar uma peça tão clássica para atender mais tamanhos reforça uma mensagem importante: não é a mulher que precisa se adaptar à roupa. É a roupa que deve acompanhar a mulher”, afirma.

A campanha de lançamento também buscou aproximar a proposta de corpos encontrados fora dos editoriais tradicionais de moda. Além de modelos profissionais, a Quintess convidou colaboradoras de diferentes áreas da empresa para participar das fotos.

Segundo Ana Damásio, essa preocupação acompanha o desenvolvimento das coleções. “Todas as nossas criações partem de uma pergunta muito simples: como fazer com que a roupa acompanhe as diferentes fases e formas da mulher, em vez de exigir que ela se adapte a um padrão de corpo? Essa percepção orienta nossas decisões de modelagem, proporção e desenvolvimento, sempre com foco em oferecer soluções que façam sentido para a vida real”, completa.