Fisioterapia pélvica: cuidados para envelhecer com saúde

Exercícios fortalecem a região íntima, previnem perdas urinárias e melhoram o bem-estar feminino

Treino direcionado fortalece a região pélvica e reduz riscos
Treino direcionado fortalece a região pélvica e reduz riscos Foto : Freepik / Divulgação / CP

A partir dos 40 anos, as mudanças hormonais começam a influenciar de forma direta a saúde íntima da mulher. A queda na produção de estrogênio impacta a lubrificação vaginal, a elasticidade dos tecidos e até a força da musculatura do assoalho pélvico. O resultado são sintomas que comprometem o bem-estar e a vida sexual, como ressecamento, dor durante a relação e episódios de incontinência urinária.

No podcast Fala 50+, a fisioterapeuta Paula Costa Silveira, com mais de 20 anos de atuação no Hospital Nossa Senhora da Conceição, explicou que cada vez mais mulheres procuram atendimento diante desses sinais. “As pacientes relatam ressecamento vaginal, dor na relação e incontinência urinária. São questões que muitas vezes aparecem cedo demais e comprometem o bem-estar”, observou.

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Quando a prevenção faz diferença

Segundo Paula, o fortalecimento da região pélvica é essencial para prevenir e tratar sintomas ligados à queda hormonal. “A musculatura pélvica precisa de exercício, como qualquer outra. Com o envelhecimento, ocorre a sarcopenia, a perda natural de massa muscular, e a região íntima também sofre com isso”, destacou. Essa fraqueza muscular pode agravar quadros de incontinência urinária, ressecamento e desconforto durante a relação sexual.

O assoalho pélvico funciona como uma espécie de “rede de sustentação” formada por músculos, fáscias e ligamentos, responsável por manter órgãos como bexiga, útero e reto em sua posição natural, controlar os esfíncteres da uretra, vagina e reto e permitir a passagem do bebê durante o parto. A explicação aparece no estudo “Intervenção da fisioterapia pélvica no tratamento do prolapso genital: revisão integrativa”, publicado em 2023 no Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences pelas pesquisadoras Nausha Caroline Souza da Silva e Rosileide Alves Livramento.

A fisioterapia pélvica utiliza exercícios de fortalecimento, técnicas de coordenação motora e até recursos de biofeedback para ajudar a mulher a recuperar o controle sobre essa musculatura. Mas a prevenção não se resume ao consultório. Paula reforça que mudanças simples no dia a dia podem ter grande impacto: manter a ingesta adequada de água, evitar a constipação intestinal e adotar posturas corretas durante as atividades físicas são cuidados que reduzem a sobrecarga na região pélvica.

Ela lembra ainda que muitas mulheres só procuram ajuda quando o problema já está instalado. “Hoje buscamos cada vez mais atuar na prevenção, para que a mulher não chegue já com sintomas instalados”, afirmou. Para a fisioterapeuta, quanto mais cedo a mulher incluir esse cuidado em sua rotina, maior a chance de atravessar a menopausa e o envelhecimento com autonomia e qualidade de vida.

Disfunções do assoalho pélvico

O enfraquecimento do assoalho pélvico pode provocar diferentes disfunções que afetam diretamente a qualidade de vida da mulher. Entre as mais comuns estão a incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina ao tossir, rir ou praticar exercícios; o ressecamento vaginal, que leva à dor durante a relação sexual; e a constipação intestinal, que se agrava pela falta de sustentação da musculatura pélvica.

Outro problema recorrente é o prolapso genital, condição em que órgãos como a bexiga, o útero ou o reto descem de sua posição natural e pressionam a parede vaginal. Esse deslocamento pode causar dor, sensação de peso na região pélvica e dificuldade para realizar atividades simples. O mesmo estudo de Nausha Caroline Souza da Silva e Rosileide Alves Livramento aponta que o prolapso é considerado uma condição debilitante, mas que pode ser tratado com sucesso pela fisioterapia.

Além das limitações físicas, essas alterações também impactam a vida social e emocional. Muitas mulheres deixam de praticar atividades, evitam interações sociais ou sentem constrangimento em falar sobre o assunto. A prevenção e o fortalecimento da região pélvica são fundamentais para reduzir os riscos e devolver autonomia ao cotidiano.

Qualidade de vida em foco

Mais do que tratar sintomas, a fisioterapia pélvica contribui para devolver confiança e autonomia à mulher. O fortalecimento do assoalho pélvico melhora a resposta sexual, reduz episódios de incontinência urinária e oferece maior segurança na prática de atividades físicas e na rotina diária.

A fisioterapeuta Paula Costa Silveira reforça que o cuidado precoce evita que pequenos incômodos se transformem em limitações. “É importante que a mulher perceba a sua região genital e entenda que existem recursos simples que podem melhorar muito sua qualidade de vida”, afirmou no Fala 50+.

Aliado a mudanças de hábitos, o trabalho preventivo ajuda a atravessar a menopausa e o envelhecimento com mais bem-estar, prazer e autoestima. Para muitas mulheres, olhar para a saúde íntima ainda é um desafio marcado por tabus, mas a informação e o acompanhamento profissional ampliam as possibilidades de viver com qualidade o envelhecimento.

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