A maioria das campanhas de moda ainda mira em rostos jovens, corpos magros e padrões distantes da realidade da maioria das mulheres brasileiras. Mas à margem dessa lógica, um novo mercado cresce: o de pequenas e médias marcas que perceberam o valor e a potência de falar diretamente com mulheres 50+. São empreendedoras que entendem o ritmo, os desejos e os estilos que emergem na maturidade. E, principalmente, sabem ouvir.
Essa foi uma das reflexões trazidas por Symone Rech, fundadora da plataforma de tendências New & Now, no episódio mais recente do videocast e podcast Fala 50+. Para ela, as grandes marcas enfrentam dificuldades para mudar a rota. É como um Titanic, diz, pesado, lento, difícil de manobrar. Já as marcas menores são mais ágeis, com mais espaço para nichar, testar e construir uma comunicação real com o público que querem atingir, completa.
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A aposta no nicho, segundo Symone, é mais estratégica do que arriscada. Quando uma marca quer falar com todo mundo, ela não fala com ninguém. Mas quando entende com quem quer conversar, tudo muda: a linguagem, o produto, a loja, o tom de voz. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata de mulheres maduras, um público que, segundo pesquisas recentes citadas no episódio, tem alto poder de decisão de compra e prioriza qualidade, conforto e representatividade.
Menos tendência, mais verdade
Para dialogar com esse público, não basta lançar coleções com numeração ampliada ou trocar a cartela de cores. É preciso criar conexão. As mulheres 50+ querem se ver representadas não só nas roupas, mas nas campanhas, no atendimento, na forma como são tratadas, afirma Marina Kober, consultora de imagem e criadora do método KO.BI, que também participou do episódio.
Ela reforça que a comunicação ainda é o ponto mais frágil das grandes marcas. Elas usam modelos jovens para vender roupas que, teoricamente, seriam para mulheres maduras. A identificação se perde. E quando não há identificação, não há desejo de compra.
Ao contrário do que muitos imaginam, as mulheres 50+ acompanham tendências, sabem o que gostam e são seletivas, diz Marina. Não é porque envelheceu que deixou de querer se expressar. Mas agora ela quer fazer isso com mais consciência e autenticidade, explica Marina. “O estilo muda com o tempo, mas a vontade de ser vista continua”, acentua.
Quando a moda encontra propósito
A abertura para esse público não é apenas uma questão de marketing. É uma oportunidade real de criar vínculo e crescer de forma sustentável, especialmente em mercados locais ou voltados à produção autoral. Symone lembra que muitas empreendedoras que seguem sua plataforma são mulheres que também passaram pela transição dos 40 para os 50 e decidiram empreender com propósito.
Elas conhecem a cliente porque são essa cliente. Isso faz toda a diferença. Ao apostar na escuta, na representatividade e em coleções que dialogam com a rotina real das mulheres maduras, essas marcas ocupam um espaço que os grandes varejistas ainda ignoram, segundo Symone.
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