No livro "O Grande Poder: acesse sua força feminina para alcançar tudo o que deseja", a gaúcha Marciele Scarton apresenta uma proposta de transformação para mulheres 50+. Baseado nos pilares da autodescoberta, equilíbrio e resgate do poder feminino, a obra surge como um guia prático para inspirar e orientar mulheres a trilharem um caminho de transformação pessoal. Em sete passos fundamentais, Marciele compartilha práticas que visam ajudar suas leitoras a conquistarem o que desejam e a se reconectarem com sua essência, superando as barreiras impostas por crenças limitantes e estereótipos.
A experiência de Marciele como mentora, escritora e mãe trouxe uma bagagem para sua trajetória de apoio às mulheres. Após o nascimento de seu primeiro filho, ela passou por uma transição de carreira que a levou do jornalismo à escrita, onde encontrou uma nova missão: ajudar mulheres a reconhecerem seu poder interno e a viverem de acordo com seus próprios desejos, longe das pressões sociais. Sua primeira obra, "Mulheres do Interior", já explorava os desafios enfrentados pelo público feminino e a necessidade de uma vida com mais propósito e autenticidade.
A relevância do tema é ainda mais destacada por uma pesquisa recente da ONG Think Olga, que aponta que 45% das mulheres brasileiras convivem com diagnósticos de ansiedade e depressão, e 86% relatam se sentir sobrecarregadas. Para Marciele, esses números refletem uma falta de autoconhecimento e de suporte para enfrentar os desafios cotidianos, como o trabalho, a maternidade e as relações pessoais. “Esses dados são um alerta sobre a importância de olharmos para nós mesmas com cuidado e de entendermos que o autoconhecimento é uma chave para a mudança,” afirma a autora.
Com uma linguagem prática, "O Grande Poder" convida as leitoras a fazerem as pazes com suas realidades e a se libertarem das crenças de idade e dos estereótipos que as limitam. Marciele incentiva as mulheres a explorarem sua força feminina e a buscarem uma vida que seja, de fato, a realização de seus sonhos. "Quero que minhas leitoras se reconectem com sua essência e utilizem seu poder feminino para alcançar o que realmente desejam, sem se moldarem às expectativas alheias”, resume a autora, evidenciando que o verdadeiro poder está em viver com autenticidade e liberdade. Acompanhe a entrevista:
Correio do Povo – No livro, você aborda o conceito de "crenças de idade". O que motivou você a escrever sobre esse tema específico para as mulheres 50+?
Marciele Scarton – Em nossa sociedade, as crenças de idade atingem as mulheres muito antes dos 50. Em meus atendimentos, observo mulheres a partir dos 30 anos considerando-se velhas para determinados sonhos em diferentes esferas da vida. É revoltante, mas não surpreende, pois desde cedo ouvimos frases como "meninas amadurecem mais cedo" e "mulher tem prazo de validade" em relação à idade reprodutiva. Podemos, então, imaginar o quão limitante esse pensamento se torna para mulheres 50+. Culturalmente, é como se, nessa idade, com a proximidade ou chegada da menopausa, a mulher precisasse se afastar da vida ativa, porque, no passado, isso realmente acontecia. Aos 50, as mulheres já eram vistas como senhoras à espera do fim da vida. Só que estamos vivendo muito mais! A curva do declínio da vida, que até pouco tempo atrás começava por volta dos 60, agora se estende para os 90! Então, meu papel é iluminar para as mulheres que, em qualquer idade, elas podem fazer o que desejarem, e que aos 50 têm ainda uma vida útil inteira por iniciar, agora com toda a experiência e sabedoria adquiridas, e com mais leveza.
CP – Quais são os principais estereótipos e pressões sociais que, na sua visão, mais impactam as mulheres nessa faixa etária?
MS – A pressão estética, certamente, que nos lembra a todo instante de que é melhor frearmos o envelhecimento. Afinal, aos 80 anos, um homem é considerado sábio; uma mulher, velha. Aos 60, um homem é enaltecido como experiente; uma mulher, apontada como velha. Aos 50, um homem grisalho atrai olhares como maduro e charmoso; uma mulher grisalha é vista como desleixada e velha.
CP – Você menciona que os homens 50+ costumam ser vistos de forma positiva, enquanto as mulheres enfrentam o oposto. Quais fatores você acredita que contribuem para essa disparidade de percepções?
MS – Quando olhamos para a história que nos trouxe até aqui, percebemos que as mulheres nasciam para servir aos homens, seja no trabalho doméstico, na geração de filhos ou nas relações sexuais; assim, elas serviam com sua vitalidade, juventude e beleza. O envelhecimento pode alterar, principalmente, a beleza da mulher para uma versão diferente dos padrões convencionados e, dentro desse pensamento ainda enraizado, o envelhecimento parece diminuir a "utilidade" da mulher. Sobre os homens, pesa por muito mais tempo apenas a vantagem da maturidade, como experiência e sabedoria.
CP – Como você vê a evolução da percepção social sobre a idade ao longo das últimas décadas? Quais foram os fatores mais transformadores?
MS – Na década de 1950, a expectativa de vida no Brasil era em torno de 48 anos. Hoje, a população com mais de 50 anos representa quase 30% no país. O aumento da longevidade e da vida ativa tem feito, e deve fazer cada vez mais, com que as pessoas adquiram hábitos de autocuidado, pensando no longo prazo. A ciência e a medicina avançam constantemente, oferecendo recursos para promover vitalidade e jovialidade por muito mais tempo, o que nos permite planejar um estilo de vida que nos leve bem aos cem anos. Além disso, com essa expectativa ampliada de vida, que praticamente adiciona uma nova vida útil a partir dos 60, as pessoas buscam cada vez mais viver com propósito e significado. Isso muda a forma como nos vemos, como vemos os outros e injeta motivação para viver mais. Já estamos vendo pessoas com mais de 50 anos iniciando projetos, negócios, uma nova carreira, novos relacionamentos, mantendo a aparência de décadas atrás. É claro que isso depende do autoconhecimento e da decisão de cada um. Infelizmente, esse cenário talvez demore muito mais para se tornar uma realidade para as classes menos favorecidas, a maioria em nosso país.
CP – Muitas mulheres se sentem pressionadas a manter uma aparência jovem. Como você acredita que esse tipo de pressão pode ser superado?
MS – Fortalecendo a autoestima feminina em todas as fases da vida. As mulheres estão recorrendo a procedimentos antienvelhecimento cada vez mais cedo. A recomendação para botox, por exemplo, começa aos 25 anos. É ótimo ter esses recursos para valorização da nossa beleza única, mas não como meio para tentar estancar uma baixa autoestima, porque não funciona. Afinal, todas conhecemos uma mulher que está dentro dos padrões de beleza, mas tem baixa autoestima e falta de autoconfiança.
CP – No livro, você fala sobre crenças fortalecedoras, como "sempre estou no tempo certo". Como essas crenças podem ajudar mulheres a lidarem com o envelhecimento de forma positiva?
MS – Precisamos valorizar nossas conquistas e nossa caminhada, tanto coletiva quanto individual. Empodere-se disso e da sua essência única para se amar. Liste suas realizações, seus pontos fortes e mentalize o quanto você é maravilhosa. Somos o que pensamos, então trate de pensar positivo sobre si mesma. As crenças que temos sobre nós acabam determinando nossa realidade. Não que elas sejam reais, mas criam a realidade porque você age, mesmo que inconscientemente, de acordo com o que acredita. Um pensamento gera um sentimento, que gera um comportamento, que leva a um resultado.
CP – Como você sugere que as mulheres 50+ cultivem uma autopercepção livre de conceitos ultrapassados sobre idade?
MS – Internalize o que disse anteriormente, e mapeie o que você repete sobre si mesma, seja em pensamento ou verbalmente. Posso apostar que há um autojulgamento severo. Mude essas sentenças! Comece a pensar, sentir e falar coisas positivas sobre si mesma. Assim, você se reconecta com seus recursos internos e se liberta de condicionamentos que a impedem de avançar.
CP – Ao escrever o livro, você teve algum público específico em mente, ou acredita que as mensagens sobre autoestima e aceitação são universais?
MS – São universais. Desejo, inclusive, que minha filha, que hoje tem um ano e três meses, possa acessar seu grande poder, por meio do que escrevi no livro, ainda na adolescência, para que tenha de partida o repertório que precisei de décadas para construir e registrar nestas páginas.
CP – Que conselhos você daria para uma mulher que se sente “velha demais” para buscar novas experiências, como aprender algo novo ou iniciar um projeto?
MS – Tenha 20 ou 80 anos, toda vez que se sentir velha ou achar que o tempo de algo já passou, conteste esse pensamento. Lembre-se de que a idade certa é uma convenção cultural. Tenha em mente que você sempre está no tempo certo e que, neste momento, é uma versão muito aprimorada de si mesma.
CP – Que impacto você espera que seu livro tenha na vida das mulheres que o leem, especialmente em relação a libertá-las das “crenças de idade” que as limitam?
MS – Que se apropriem do seu poder pessoal e, com ele, conquistem os sonhos que desejarem. Que percebam que são forças propulsoras de amor e leveza neste mundo, para entenderem que o grande propósito é vivermos felizes, tranquilas e plenamente realizadas.
CP – Ao escrever sobre as crenças de idade e a pressão estética que as mulheres enfrentam, você se baseou em alguma experiência pessoal ou em momentos de sua própria vida? Como essas reflexões afetaram sua visão sobre o envelhecimento?
MS – Primeiramente, fui impactada ao perceber, nas minhas pesquisas, como eram as pressões sofridas por nossas mães e avós. Vou dar um exemplo: no tempo delas, chegar à “idade avançada” de 25 anos sem se casar as colocava no seleto e temido grupo das solteironas, mulheres excluídas dos círculos sociais e vistas como más influências. Quando me deparei com relatos assim, lembrei-me de uma colega do ensino médio, no começo dos anos 2000, que havia se dado um prazo para encontrar um par: os 25 anos. Isso mostra como essas questões estão incrustadas no nosso inconsciente, reverberam e afetam negativamente a nossa autoimagem.
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