Sedentarismo após aposentadoria aumenta risco de sarcopenia

A mudança de rotina após a aposentadoria pode reduzir a atividade física e favorecer a sarcopenia, comprometendo força, mobilidade e autonomia

Prática de exercício físico ajuda a manter equilíbrio e mobilidade ao longo dos anos
Prática de exercício físico ajuda a manter equilíbrio e mobilidade ao longo dos anos Foto : Magnific / Divulgação / CP

O que acontece com o corpo quando passamos muito tempo sem nos movimentar? Passar muitas horas sentado, caminhar pouco e reduzir estímulos físicos pode acelerar a perda de massa muscular, causando o processo conhecido como sarcopenia.

A sarcopenia é uma doença desenvolvida a partir da perda de força e massa muscular acelerada, conforme a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). A condição resulta em redução do desempenho físico do indivíduo, como dificuldades de equilíbrio, mobilidade e autonomia para realizar atividades sozinho.

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Segundo a SBGG, a sarcopenia é mais comum entre pessoas acima de 60 anos. A perda muscular tende a acontecer naturalmente devido ao envelhecimento, mas o sedentarismo acelera esse processo. Após a aposentadoria, a mudança na rotina costuma ser alterada significativamente.

Redução dos deslocamentos diários, das atividades ocupacionais e até da frequência de movimentos simples do cotidiano faz com que muitas pessoas passem a se movimentar menos sem perceber. O instrutor da BlueFit Leandro Twin aponta que a perda muscular costuma acontecer de forma silenciosa e progressiva, principalmente quando a rotina se torna menos ativa.

“O corpo entende ausência de movimento como ausência de necessidade. Quando a pessoa passa muito tempo sedentária, perde massa muscular, mobilidade e estabilidade aos poucos", afirma. O profissional pontua que a musculação para pessoas com mais de 60 anos surge como um fator de qualidade de vida em pequenas tarefas do dia a dia.

“O treino de força ajuda justamente a preservar essas funções e melhorar a qualidade de vida durante o envelhecimento”, explica Leandro. “Muita gente associa musculação apenas ao ganho de força ou condicionamento, mas, para o público mais idoso, ela está diretamente ligada à manutenção da autonomia e da funcionalidade do corpo”, esclarece ele.

“Estamos falando da capacidade de subir escadas, levantar da cama sozinho, carregar compras, manter equilíbrio e continuar independente ao longo dos anos”, ilustra Leandro com exemplos do cotidiano.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pessoas acima dos 65 anos devem realizar atividades de fortalecimento muscular ao menos duas vezes por semana, justamente para preservar mobilidade, equilíbrio e autonomia ao longo do envelhecimento. Além da força, a musculatura desempenha papel importante na estabilidade corporal, proteção das articulações, metabolismo e capacidade funcional do corpo.

Brasileiros vivendo mais

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,4 anos, enquanto a população acima dos 60 anos segue em crescimento acelerado. A projeção do instituto é que, nas próximas décadas, os idosos representem uma parcela cada vez maior da população brasileira, ampliando os debates sobre longevidade, autonomia e qualidade de vida.

O impacto da falta de movimento durante o envelhecimento aparece em estudos recentes conduzidos no Brasil. Dados do estudo ELSA-Brasil, que acompanha há mais de 15 anos cerca de 15 mil adultos brasileiros, apontaram que adultos fisicamente ativos apresentaram risco de mortalidade até 25% menor ao longo do envelhecimento quando comparados aos sedentários.