Comum para a maioria das mulheres, a celulite está presente no corpo de muitas delas: segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), estima-se que cerca de 95% das mulheres desenvolverão a condição ao longo da vida. Conhecida por aparecer em algumas regiões do corpo, ela pode aparecer despercebida em outros locais.
Além de quadris, coxas e nádegas, onde é frequentemente encontrada, a celulite pode afetar mamas, braços, nuca e joelho. Nos joelhos, ela costuma aparecer na faixa de pele logo acima deles, onde pequenos buracos se misturam a dobras e à perda de firmeza.
Longe de ser uma doença, a lipodistrofia ginoide, conhecida popularmente como celulite, nada mais é do que um depósito de gordura sob a pele, que altera sua textura, deixando-a com um aspecto de 'casca de laranja'. Em alguns casos, a condição pode aparecer associada à flacidez, como afirma a médica Danuza Alves, diretora médica da Clínica Leger Porto Alegre: “Uma depressão localizada e uma pele que forma pequenas dobras podem aparecer juntas. Isso explica por que reduzir gordura nem sempre resolve o que incomoda a paciente”, explica.
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Ao analisar fotografias de 57 mulheres, pesquisadores desenvolveram uma escala específica para a região acima dos joelhos, considerando quantidade e profundidade das depressões, além da presença de flacidez. O peso, sozinho, não permite prever essa aparência: pessoas magras também podem ter celulite, e o emagrecimento acompanhado de perda de firmeza pode deixar as marcas mais visíveis.
Causas e sintomas
As causas da celulite não são totalmente conhecidas. Uma das hipóteses, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, seria a diferença existente entre mulheres e homens no padrão de armazenamento de gordura.
Nas mulheres, as estruturas do tecido conjuntivo, que são subcutâneas e fazem a conexão entre diferentes partes do corpo, são dispostas perpendicularmente à superfície da pele. Isso cria pequenos compartimentos por onde a gordura hipodérmica pode se projetar, provocando alterações visíveis na superfície cutânea. Já nos homens, as estruturas do tecido conjuntivo são inclinadas, resultando em compartimentos menores, o que dificultaria a projeção da gordura por eles.
Apesar disso, a SBD lista vários fatores que podem influenciar no surgimento da celulite, entre eles:
- Hereditariedade: Ter histórico familiar de celulite aumenta as chances de o problema aparecer.
- Problemas circulatórios: Quando o sangue não circula adequadamente, a drenagem de toxinas fica prejudicada, o que pode aumentar a viscosidade do líquido intracelular.
- Alterações hormonais: Níveis elevados de estrogênio podem fazer a celulite aparecer ou piorar a que já existe. Pelo mesmo motivo, o uso de pílula anticoncepcional deve ser avaliado com cuidado, já que aumenta a quantidade de hormônio circulando.
- Estilo de vida: Ter uma vida sedentária, com alimentação desbalanceada, além de tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, também está relacionado ao aparecimento e à piora da celulite.
De maneira geral, o início da celulite é assintomático, sendo detectada apenas quando a pele é pinçada com os dedos ou durante a contração muscular. Nos estágios mais avançados, a área afetada fica endurecida e com temperatura mais baixa devido à circulação sanguínea deficiente. Ocorrem alterações na textura e no relevo da pele, que fica cheia de ondulações. Em alguns casos, a celulite pode comprimir terminações nervosas, causando sensibilidade e até mesmo dor no local.
Tratamento
A celulite estética não exige tratamento por si só, uma vez que a condição é inofensiva. De acordo com a SBD, quando há interesse em suavizar as irregularidades, diferentes tratamentos dermatológicos são possíveis. O médico precisa realizar uma avaliação cuidadosa do caso, pois o investimento financeiro costuma ser alto, sendo necessário associar mais de um tratamento, além de fazer manutenção periódica.
A avaliação é feita com base no número e na profundidade das depressões, na presença de flacidez e de lesões elevadas, assim como no aspecto dessas áreas elevadas. Publicada em 2009 por três dermatologistas brasileiras (Doris Hexsel, Camila Hexsel e Taciana Dal Forno), a Celullite Severity Scale (Classificação de acordo com a gravidade da celulite) classifica a condição em três graus: grau 1 (leve), grau 2 (moderada) e grau 3 (grave).
O objetivo geral dos tratamentos é estimular a circulação sanguínea, acelerar a eliminação de toxinas e melhorar o aspecto da pele em relação à hidratação, flacidez e relevo. Entre os tratamentos estão: drenagem linfática, aplicação de radiofrequência, radiação infravermelha, ultrassom focado e ácido polilático, além da subcisão, um procedimento cirúrgico para corrigir depressões no relevo da pele. É importante esclarecer que qualquer que seja o tratamento escolhido, nenhum será efetivo se não for acompanhado por mudanças definitivas no estilo de vida.
