Menstruação após os 40 anos: quais sinais exigem atenção?

Ciclos irregulares podem fazer parte da transição para a menopausa, mas mudanças no fluxo e sangramentos intensos precisam ser investigados

Mudanças na frequência e na intensidade da menstruação após os 40 anos podem fazer parte da transição para a menopausa, mas algumas alterações exigem avaliação médica
Mudanças na frequência e na intensidade da menstruação após os 40 anos podem fazer parte da transição para a menopausa, mas algumas alterações exigem avaliação médica Foto : Mart Production / Pexels / CP

Depois dos 40 anos, mudanças no ciclo menstrual podem começar a fazer parte da rotina de muitas mulheres. A menstruação pode ficar irregular, os intervalos entre os ciclos podem aumentar ou diminuir e o fluxo pode apresentar variações. Embora essas alterações sejam comuns durante a transição para a menopausa, nem todas devem ser consideradas consequências naturais do envelhecimento.

O Ministério da Saúde destaca, no Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa, publicado em 2026, que a irregularidade menstrual é uma das manifestações frequentes desse período. As mudanças estão relacionadas às oscilações hormonais e à ocorrência de ciclos sem ovulação, que interferem na duração, na frequência e na intensidade dos sangramentos.

Entretanto, sangramentos intensos, prolongados ou fora do período esperado podem indicar condições ginecológicas que precisam ser investigadas, como miomas, pólipos e alterações do endométrio, tecido que reveste internamente o útero.

“A transição para a menopausa é um processo gradual e pode modificar o padrão menstrual. Porém, uma mudança no ciclo não deve ser automaticamente considerada normal apenas porque a mulher passou dos 40 anos. É importante observar a intensidade, a duração e a frequência dos sangramentos e conversar com o ginecologista quando houver uma alteração persistente ou significativa”, explica Carlos Alberto Reyes Medina, diretor médico da Carnot Laboratórios.

O que muda na menstruação durante a perimenopausa?

A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e pode durar vários anos. Nessa fase, os ovários passam por mudanças progressivas em seu funcionamento, provocando oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios responsáveis pela regulação do ciclo menstrual.

Segundo o Ministério da Saúde, inicialmente os ciclos podem se tornar mais curtos, com menstruações mais próximas umas das outras. Com a progressão da transição, podem surgir intervalos maiores sem menstruar, até a interrupção definitiva dos ciclos. O volume do sangramento também pode variar.

Além das irregularidades menstruais, algumas mulheres apresentam ondas de calor, suores noturnos, alterações do sono e do humor, ressecamento vaginal e desconfortos urinários. A intensidade e a combinação desses sintomas variam de pessoa para pessoa.

A menopausa propriamente dita é identificada após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que a ausência do sangramento não tenha outra causa. No Brasil, geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, conforme o Ministério da Saúde.

Quais alterações menstruais exigem atenção?

Durante a transição menopáusica, as oscilações hormonais podem alterar o padrão das menstruações. De acordo com o National Institute on Aging (NIA), dos Estados Unidos, os ciclos podem ficar mais curtos ou mais longos, enquanto o sangramento pode aumentar ou diminuir. Embora essas mudanças sejam comuns nessa fase, determinados padrões precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Entre os sinais de alerta estão menstruações muito próximas umas das outras, fluxo intenso, sangramentos que duram mais de uma semana e perdas de sangue entre os ciclos ou após as relações sexuais. O NIA também recomenda avaliação médica quando o sangramento reaparece depois de 12 meses consecutivos sem menstruar, período que caracteriza a menopausa.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) destaca que o sangramento uterino anormal é uma queixa frequente durante a perimenopausa. Segundo a publicação “Sangramento uterino anormal na perimenopausa”, de 2021, essa condição pode representar cerca de 70% das queixas ginecológicas nesse período.

Por isso, a importância de investigar mudanças no fluxo menstrual, já que nem todas estão relacionadas exclusivamente às oscilações hormonais. Miomas, pólipos, adenomiose e alterações do endométrio estão entre as possíveis causas.

O Ministério da Saúde também recomenda atenção aos sangramentos uterinos anormais durante a transição menopausal, especialmente em mulheres com fatores de risco para doenças do endométrio. A investigação pode incluir exame ginecológico, ultrassonografia transvaginal e outros procedimentos, conforme a avaliação individual.

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Menstruação intensa pode causar anemia?

O aumento do fluxo menstrual também pode provocar consequências que vão além do desconforto durante o período. Quando os sangramentos são intensos ou prolongados e ocorrem repetidamente, a perda de sangue pode reduzir as reservas de ferro do organismo, favorecendo o desenvolvimento de deficiência de ferro e anemia.

Cansaço persistente, fraqueza, tontura, palidez e falta de disposição são alguns dos sintomas que merecem atenção. Como essas manifestações podem ser confundidas com alterações relacionadas ao climatério, é importante investigar suas possíveis causas.

“Quando uma mulher apresenta sangramentos mais intensos ou prolongados de forma recorrente, é importante considerar também o impacto dessas perdas sobre o organismo. A investigação pode ajudar a identificar tanto a causa do sangramento quanto possíveis consequências, como a deficiência de ferro”, afirma Reyes Medina.

Dependendo da avaliação clínica, o profissional de saúde pode solicitar exames de sangue, como hemograma e ferritina, para verificar a presença de anemia e avaliar as reservas de ferro. A investigação também deve identificar a causa da perda sanguínea, evitando que o problema continue.

Menstruação irregular significa que a menopausa está chegando?

Nem sempre. Embora a irregularidade menstrual seja uma característica da perimenopausa, mudanças no ciclo também podem estar relacionadas a distúrbios da tireoide, alterações hormonais, condições ginecológicas, uso de medicamentos e até gravidez.

Por isso, a idade isoladamente não é suficiente para determinar que uma mulher esteja entrando na menopausa. A avaliação considera o histórico menstrual, os sintomas apresentados e, quando necessário, exames complementares.

“Cada mulher passa por essa fase de uma maneira diferente. O mais importante é reconhecer o próprio padrão menstrual e procurar avaliação quando houver uma mudança relevante. Dessa forma, é possível diferenciar as alterações esperadas da transição menopáusica de situações que precisam de investigação e tratamento”, orienta o médico.

Quando procurar atendimento pelo SUS?

O acompanhamento da saúde menstrual e dos sintomas da transição menopausal pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme orientações divulgadas pelo governo federal em setembro de 2026, as mulheres não precisam esperar a interrupção definitiva da menstruação para procurar atendimento.

A partir dos 40 anos, quem percebe mudanças no ciclo, ondas de calor, alterações do sono ou outros sintomas pode buscar orientação na Unidade Básica de Saúde (UBS). O atendimento inclui avaliação clínica, orientações e, quando necessário, tratamento ou encaminhamento para atendimento especializado.

Uma medida simples é registrar as datas das menstruações, a duração dos ciclos, a intensidade do fluxo e a presença de sangramentos inesperados. Essas informações ajudam o profissional de saúde a identificar alterações e avaliar a necessidade de investigação. Sangramentos muito volumosos acompanhados de tontura intensa, desmaio, falta de ar ou fraqueza importante exigem atendimento de urgência.

A transição para a menopausa é uma etapa natural da vida, mas isso não significa que todos os sintomas devam ser suportados ou considerados normais. Reconhecer as mudanças do próprio corpo e buscar acompanhamento permite identificar problemas precocemente e preservar a qualidade de vida.