Síndrome do piriforme: por que afeta mais as mulheres?

Diagnosticada recentemente no cantor Zé Felipe, condição pode causar dores intensas nos glúteos e é de três a seis vezes mais comum em mulheres

Tratamento adequado frequentemente reduz os desconfortos causados
Tratamento adequado frequentemente reduz os desconfortos causados Foto : Magnific / Reprodução / CP

Movimentos repetitivos, sobrecarga durante a prática de atividades físicas e lesões na região dos glúteos podem provocar dores intensas no local que dificultam atividades como caminhar e permanecer sentado por períodos prolongados. Quando isto ocorre, é importante estar atento ao diagnóstico, que pode indicar a síndrome do piriforme.

A síndrome do piriforme, diagnóstico revelado recentemente pelo cantor Zé Felipe, é significativamente mais comum em mulheres. Estimativas científicas indicam que ela afeta o público feminino em uma proporção de três a seis vezes mais do que os homens.

O que é a síndrome do piriforme?

A condição recebe o nome do músculo piriforme, localizado na região profunda dos glúteos, próximo ao nervo ciático, responsável pela transmissão de sinais nervosos entre a região lombar e os membros inferiores. Quando esse músculo sofre irritação ou espasmos e comprime o nervo, podem surgir dores e outros sintomas que se estendem para as pernas.

“A síndrome do piriforme ocorre quando o músculo localizado na região profunda dos glúteos irrita ou comprime o nervo ciático, provocando dor que pode irradiar para a parte posterior da coxa e, em alguns casos, chegar até o pé”, explica o ortopedista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo Alexandre Penna.

Nas mulheres, a síndrome do piriforme é mais recorrente devido a fatores biomecânicos e anatômicos estruturais da pelve feminina, que possui um formato mais largo. Essa largura maior aumenta o chamado “ângulo Q”, formado entre o quadril e o joelho, o que altera os vetores de força da marcha. Isto gera maior sobrecarga, estresse mecânico e encurtamento do músculo, facilitando a compressão direta do nervo ciático.

Entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do quadro estão movimentos repetitivos, sobrecarga na prática de atividades físicas e lesões na região. O aumento excessivo da intensidade dos exercícios também pode favorecer problemas musculares, embora nem todos os casos tenham uma causa claramente identificada.

Quais são os sintomas?

A manifestação mais característica da síndrome é a dor na região glútea, que pode ser localizada ou se estender pela parte posterior da coxa e, em alguns casos, chegar à perna e ao pé. Também podem ocorrer formigamento, dormência e sensação de queimação. Os sintomas costumam piorar durante determinadas atividades, como correr, subir escadas ou permanecer sentado por muito tempo.

“Como os sintomas podem ser semelhantes aos de problemas na coluna, é importante realizar uma avaliação médica para identificar a origem da dor e definir o tratamento mais adequado”, observa o ortopedista. Dor intensa acompanhada de fraqueza progressiva, perda importante de sensibilidade ou alterações no controle da bexiga ou do intestino exigem atendimento médico imediato.

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Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da síndrome vem principalmente por meio da análise do histórico do paciente e do exame físico. Este pode incluir movimentos específicos do quadril e das pernas para identificar a origem e reproduzir a dor.

Dependendo dos sintomas, o médico pode solicitar exames de imagem ou outros testes para investigar e descartar condições com manifestações semelhantes, como hérnia de disco e outras causas de compressão do nervo ciático. A distinção é importante porque a dor irradiada para as pernas não significa, necessariamente, que o problema esteja na coluna ou que exista uma lesão direta do nervo ciático.

Que tratamento é realizado?

O tratamento depende da intensidade da dor, das limitações funcionais e da causa identificada. Em muitos casos, a abordagem inicial é conservadora e pode incluir a adaptação temporária das atividades que provocam desconforto, fisioterapia, exercícios específicos de alongamento e fortalecimento muscular e medicamentos prescritos pelo médico, quando indicados.

Ajustes temporários nas atividades físicas também podem acontecer. “É importante não insistir em movimentos que aumentem a dor nem recorrer à automedicação. A retomada dos exercícios deve ser gradual e considerar a evolução de cada paciente”, orienta o especialista.

Durante a recuperação, também é importante fazer pausas ao permanecer sentado por longos períodos, evitar exercícios que intensifiquem o desconforto e retomar as atividades físicas gradualmente, com orientação profissional.

Caso os sintomas não melhorem, retornem com frequência ou interfiram na rotina, é importante procurar avaliação médica. Embora possa causar bastante desconforto, a síndrome do piriforme frequentemente apresenta melhora com tratamento adequado e ajustes na rotina. O acompanhamento especializado é essencial para identificar a origem dos sintomas, orientar a recuperação e reduzir o risco de recorrência.