Tontura pode esconder doenças e exige atenção médica

Semana da Tontura 2026 alerta para sinais de urgência e para a relação entre alterações metabólicas e episódios de desequilíbrio

Alterações metabólicas, neurológicas, cardíacas e vestibulares estão entre as possíveis causas de tontura
Alterações metabólicas, neurológicas, cardíacas e vestibulares estão entre as possíveis causas de tontura Foto : Freepik / Divulgação / CP

Comum e frequentemente subestimada, a tontura pode ser um sinal de alerta para diferentes doenças e merece atenção. Embora muitas pessoas associem o sintoma apenas a problemas no labirinto, ele também pode estar relacionado a alterações metabólicas, neurológicas, cardíacas ou emocionais. Nos casos em que surge de forma repentina, forte ou acompanhada de outros sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica.

O alerta marca a Semana da Tontura 2026, campanha promovida entre 20 e 26 de abril pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) em parceria com a Academia Brasileira de Otoneurologia (ABON). Neste ano, a mobilização traz como tema “Tontura é coisa séria: sabia que alterações no metabolismo também podem causar tontura?”, com foco na conscientização sobre causas que vão além dos problemas do ouvido interno.

A proposta é chamar atenção para a necessidade de avaliação médica adequada diante de um sintoma comum, mas que pode esconder condições neurológicas, cardíacas, metabólicas ou emocionais. Segundo a otorrinolaringologista e otoneurologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE), Naiana Rocha Arcanjo, há situações em que a procura por atendimento deve ser imediata.

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De acordo com a especialista, episódios que aparecem de forma repentina, com intensidade fora do habitual ou acompanhados de fraqueza, dormência, dificuldade para falar, visão dupla, perda de consciência ou dor de cabeça forte exigem avaliação urgente.

Ela explica que a tontura é um conceito amplo, que pode envolver sensações diferentes. Já a vertigem está ligada à percepção de giro, enquanto o desequilíbrio se refere à dificuldade para permanecer em pé ou caminhar. Na prática clínica, diz a médica, identificar a origem do quadro nem sempre é simples, já que diversos sistemas do organismo podem estar envolvidos.

Diferentes causas ocasionam tonturas

Entre as causas possíveis, o presidente da Academia Brasileira de Otoneurologia, Marcelo Oliveira, destaca alterações como diabetes, hipoglicemia, resistência insulínica, disfunções da tireoide, alterações hormonais, anemia, dislipidemias, deficiência de vitaminas e desequilíbrios eletrolíticos. Segundo ele, esses fatores podem comprometer o funcionamento do sistema nervoso e vestibular, provocando sintomas como vertigem, instabilidade, desorientação espacial, fraqueza e mal-estar, além de aumentar o risco de quedas.

Naiana também chama atenção para sinais que podem apontar para causas fora do labirinto. Alterações na coordenação, palpitações, sensação de desmaio e episódios relacionados ao estresse, afirma, podem indicar a necessidade de acompanhamento com outros profissionais, a depender da origem do problema.

Outro ponto destacado pelos especialistas é o risco da automedicação. Naiana afirma que um erro frequente é atribuir toda tontura à “labirintite” e recorrer a medicamentos sem orientação. Segundo ela, isso pode mascarar doenças e atrasar o diagnóstico correto, assim como a busca por respostas genéricas na internet.

Tonturas podem trazer graves consequências

Os impactos na rotina também pesam. Sem o cuidado adequado, episódios de tontura podem favorecer quedas, fraturas e acidentes, sobretudo entre pessoas idosas. Nesse grupo, a médica ressalta que a atenção deve ser redobrada devido ao declínio natural do equilíbrio, ao uso de múltiplos medicamentos e à presença de doenças associadas.

A investigação, conforme a especialista, é feita a partir da história clínica, do exame físico e de testes específicos. Em alguns casos, podem ser solicitados exames como audiometria, avaliação vestibular, testes laboratoriais ou exames de imagem, mas nenhum deles, isoladamente, é suficiente para definir a causa.

Além do diagnóstico e do tratamento direcionado, os especialistas apontam que hábitos cotidianos também interferem no quadro. Estresse, ansiedade, noites mal dormidas, alimentação inadequada, sedentarismo e consumo excessivo de cafeína ou álcool podem desencadear ou agravar os episódios.

As abordagens terapêuticas variam de acordo com a causa identificada e podem incluir medicamentos, manobras específicas, reabilitação vestibular e mudanças no estilo de vida. Para Marcelo Oliveira, uma condução individualizada pode reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.