Trabalho há tanto tempo no Correio do Povo, desde 1986, que, volta e meia, algum visitante desavisado ou brincalhão pergunta se eu estava aqui na fundação do jornal. Trato imediatamente de apontar a primeira página da primeira edição, encimada pelo logotipo e pela data – terça-feira, 1° de outubro de 1895 –, da qual temos várias cópias espalhadas pelo prédio da rua Caldas Júnior, da redação à sala da presidência, passando pelo nosso Salão Nobre e por outros departamentos. E as temos não só para provar que seria impossível que eu ou outros colegas mais antigos na Casa, como o Hiltor Mombach, que escreve sobre futebol em nossas páginas desde que a bola era amarrada com tentos, estivéssemos presentes na fundação, mas principalmente para nos lembrar cotidianamente que este é um jornal com história. E uma longa história, que hoje completa 129 anos.
Aquela capa nos lembra ainda mais: lá está publicado o primeiro editorial, no qual, como o próprio explica, “ficam definidos em poucas linhas os compromissos com que esta folha entra para o convívio do jornalismo rio-grandense”. Naquele texto, escrito pelo fundador Francisco Antônio Caldas Júnior, gerações de jornalistas, de funcionários e de dirigentes do jornal buscam não só inspiração, mas um guia seguro, à guisa de uma Constituição, sobre o que fazer em nossa missão de levar informação com credibilidade à população. Gosto de todo o moderno texto, que lançou o jornalismo apartidário no país, mas dois trechos são especiais: “Independente, nobre e forte – procurará sempre sê-lo o Correio do Povo, que não é órgão de nenhuma facção partidária, que não se escraviza a cogitações de ordem subalterna” e “estas colunas estarão sempre francas a quantos queiram, com elevação de vistas, tratar de assuntos de interesse geral”. A independência precisa ser reafirmada a cada dia e a “elevação de vistas” nos afasta, por exemplo, da gritaria burra das redes sociais e dos panfletos ordinários da politicagem.
Minha história com o Correio começou bem antes, quando me alfabetizei lendo jornais velhos usados para embalar produtos na mercearia do meu pai ou depois, quando ele, transformado em taxista noturno, trazia o Correio do Povo ou a Folha da Manhã bem cedinho para eu espiar enquanto tomava café antes de ir para a escola. Mais adiante, com 14 anos, decidi que iria ser jornalista quando passei a frequentar estes corredores para pagar as faturas de uma empresa anunciante da qual eu era office boy. Aos 15, em 1975, o grande marco: entrei de penetra, ou carancho, em uma festança na qual os funcionários e suas famílias comemoravam os 80 anos do jornal. Desde então, o aniversário do jornal dá a largada, com uma certa antecipação, nas minhas próprias festas de final de ano. Hoje é um dia ainda mais especial, pois ingressamos em nosso Ano 130. Ali adiante, em 2025, serão 13 décadas de história. Ótima razão para comemorar.
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