Gauchada na Noruega

Saímos da querência, mas a querência nunca sai de dentro de nós

O primeiro acampamento surgiu em 2020, a partir da iniciativa de uns poucos gaúchos que viviam na Noruega
O primeiro acampamento surgiu em 2020, a partir da iniciativa de uns poucos gaúchos que viviam na Noruega Foto : Vikings de bombacha / divulgação / cp

Neste final de semana, a 11 mil quilômetros do Rio Grande do Sul, duas centenas de gaúchos e gaúchas de todas as idades estarão mateando, assando churrasco em fogo de chão, tocando gaita, dançando chula e degustando doces típicos, como ambrosia e sagu. No espaço, serão vistos gaúchos de chapéu de aba larga, lenço no pescoço, de bota e bombacha. Mas onde fica este curioso e inóspito Acampamento Farroupilha? Por mais incrível que pareça, fica numa propriedade rural nos arredores de Oslo, na Noruega.

O grupo intitulado “Vikings de Bombacha” realiza este ano o sétimo acampamento tão longe da Querência. O primeiro acampamento surgiu em 2020, a partir da iniciativa de uns poucos gaúchos que viviam na Noruega e estavam saudosos do pago. No início, eles contam que começou como um movimento discreto, mas que, a partir dos últimos anos, ganhou notoriedade, com a presença de gaúchos não só da Noruega, mas também da Dinamarca, Finlândia, Suécia e Islândia.

Este episódio exemplifica como o gaúcho, por mais longe que vá, o Rio Grande do Sul nunca sai de dentro de si, porque somos assim, saímos da querência, mas a querência nunca sai de dentro de nós. Nossa alma gauchesca até pode estar desgarrada, mas manterá sempre viva a chama do sentimento e devoção aos nossos usos e costumes.

Vai daqui, deste garrão de meridiano sulino, nosso afetuoso abraço, amigos e amigas que levam a plagas tão distantes o nosso respeito e a valorização de nossas tradições campeiras. Além de matar um pouco a saudade de casa, do gosto do mate amargo, da graxa pingando nas brasas sobre a neve, de matar a saudade de uma cordeona se espichando numa milonga macia, esses desbravadores ainda exaltam nossa cultura para outros povos, além de ensinar nossas coisas para os filhos e netos, para as novas gerações.

Com a bandeira gaúcha às costas, o gaúcho olha para o céu e pensa nos amigos, nos familiares e nos demais gaúchos que, naquele momento, também confraternizam ao redor de milhares de outros fogões campeiros, em outros acampamentos por inúmeros municípios do Rio Grande do Sul e de outros estados. Nesta hora, o gaúcho sente saudade da terra, mas toma um trago largo de canha pura e abre o peito num sapucay missioneiro. Porque o Rio Grande é imenso, mas cabe dentro do peito.

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