Por Rafael Luz*
Todos os anos, há uma certeza: os livreiros vão “fincar suas bandeiras” e armar suas barraquinhas no coração do Centro de Porto Alegre para mais uma Feira do Livro. Faça chuva ou faça sol, no calor escaldante ou no frio fora de época. No entanto, com cada vez mais telas à frente dos rostos das pessoas e, consequentemente, mais distrações, como manter o hábito da leitura? Como manter um negócio frente à implacável concorrência de uma multinacional que oferece livros com descontos atrativos e condições cômodas e rápidas de entrega?
De tantas e tantas palavras que a literatura oferece ao nosso vocabulário, apenas uma pode descrever a em continuar: a paixão. “O amor pelos livros. Eu poderia dizer que não sei fazer outra coisa, mas seria mentira, porque eu sei fazer. O contato com as pessoas também é algo que motiva a gente a continuar”, diz Régis Pereira, livreiro há mais de uma década e que hoje está na Livraria Leitura.
Este contato, segundo Pereira, é reforçado quando o cliente gosta da indicação feita pelo vendedor e volta para pedir mais indicações, firmando uma fidelidade com a pessoa por trás do crachá e do uniforme. Daice Führ, livreira há 45 anos e vendedora na barraquinha da L&PM Editores, lamenta que hoje em dia as pessoas tenham a atenção dividida. “Amo o que faço, e lamento que está tudo virando digital. Não tem nada melhor do que pegar os livros e sentir o cheiro deles”, opinou.
A fidelidade também é dos clientes
“Estar no meio dos livros sempre é bom”, é o que diz Rejane, educadora infantil e cliente fiel da Feira do Livro. O desafio de manter as crianças longe das telas, no entanto, faz parte da realidade da professora. “Fazemos de tudo para que o livro se torne a atração principal e para que as crianças leiam, gostem de ler e, no futuro, venham a frequentar a Feira do Livro”, afirmou.
Ao longo dos dias da Feira do Livro, o movimento é incessante, causando uma mistura de barulhos que só quem trabalha ali é capaz de se adaptar. O mesmo ocorre em relação ao forte calor debaixo das tendas. No entanto, não há tecnologia da moda ou tela que afaste o público da Praça da Alfândega ou que faça a rota dos porto-alegrenses desviar para outros lados, provando a força do laço de paixão entre clientes, livreiros e, o principal, os livros.
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*Supervisão Luciamem Winck
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