Oficina de Jornalismo

O espaço da Consciência Negra na Feira

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, a 71ª Feira do Livro de Porto Alegre está consciente?

Visitantes circulam pelos estandes da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega
Visitantes circulam pelos estandes da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, na Praça da Alfândega Foto : John Wesley / Especial / CP

Por John Wesley (Uniasselvi)*

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, a 71ª Feira do Livro de Porto Alegre inclui iniciativas que buscam ampliar o espaço da cultura afro-brasileira dentro da programação. O evento, realizado na Praça da Alfândega entre 31 de outubro e 16 de novembro, voltou a transformar o Centro da cidade em um grande ponto de encontro entre leitores, autores e editoras.

Entre as atividades, destaca-se o Ciclo Preto Sou, que valoriza expressões da cultura negra e dá visibilidade a autores afrodescendentes. A mostra “Negro em Preto e Branco”, parte das exibições culturais da feira, propõe um olhar sobre a presença negra e a memória histórica. No dia 10 de novembro, o evento recebeu o bate-papo “Educação Antirracista”, com a escritora Sônia Rosa, e encerra com o lançamento da coletânea “Meu Corpo Negro: Afetos”, neste domingo. Essas ações demonstram um esforço em incluir a temática afro-brasileira, ainda que de forma pontual, em um espaço tradicionalmente dominado por outras vozes.

Desafios

Apesar das iniciativas, ainda há desafios. A mostra “Negro em Preto e Branco”, por exemplo, está localizada no terceiro andar do Rua da Praia Shopping, prédio que abriga parte das atividades culturais da Feira. Enquanto o evento principal acontece ao ar livre, na Praça da Alfândega, a exposição permanece em um espaço fechado, de acesso menos visível.

Segundo Luciana Guarani Silveira, expositora da Editora Coralina, a presença da literatura afro-brasileira nas editoras ainda é limitada. “Há poucos títulos voltados à cultura afro, mas, quando disponíveis, têm boa saída”, afirma. Ela também aponta a falta de identificação nos livros, já que personagens negros ainda são minoria.

A leitora Maria Conceição Vidal, admiradora de autores negros, concorda que há carência de obras do gênero na Feira deste ano, e destaca a importância de profissionais negros ocuparem espaços nos grandes meios de comunicação, fortalecendo a representatividade e o reconhecimento da cultura afro-brasileira.

Espaço e visibilidade

Mesmo com avanços, a 71ª Feira do Livro de Porto Alegre ainda reflete os desafios de uma literatura que busca mais espaço e visibilidade. As ações voltadas à cultura negra sinalizam progresso, mas a pouca presença de títulos afro-brasileiros e a localização periférica de exposições mostram que a representatividade ainda caminha a passos lentos. Para que a Feira seja verdadeiramente plural, é preciso que as vozes negras ocupem não apenas as margens, mas o centro das prateleiras, das páginas e da cultura da cidade.

A Oficina de Jornalismo - Talentos do Futuro - é uma realização do Correio do Povo com o patrocínio da Corsan. Nossa natureza movimenta o Rio Grande. Apoios Ulbra "É Ultra, é Única, é Ulbra" e CIEE-RS "somos integração, inovação e possibilidades".

*Supervisão Luciamem Winck e Mauren Xavier

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