Oficina de Jornalismo

Sebos democratizam a Feira

Bancas aproximam leitores de todas as faixas etárias, com exemplares usados e preços mais acessíveis

Público procura detalhadamente os saldos na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre
Público procura detalhadamente os saldos na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre Foto : Lana Maldaner / Especial / CP

Por Lana Maldaner (Feevale)*

“Beba desta fonte”. Esse é o slogan da 71ª Feira do Livro maior do gênero a céu aberto da América Latina, e retrata bem o papel que os sebos têm ocupado, tornando o acesso à leitura mais democrático e acessível. Neste ano, 11 sebos integram o evento, entre eles a Alexandria Livraria e Sebo, Sebo Café Riachuelo, Beco dos Livros, Livraria Érico Veríssimo e Martins Livreiro. Alguns vendem apenas livros usados, enquanto outros dividem espaço com exemplares novos.

Os sebos são estabelecimentos que compram, vendem e trocam livros usados, muitas vezes raros ou fora de catálogo, a preços mais baixos que os de livrarias tradicionais. Esses espaços valorizam a circulação do conhecimento e permitem que leitores de diferentes condições econômicas tenham acesso à literatura.

Para a livreira Priscilla Teixeira de Mello, da Alexandria Livraria e Sebo, o preço é um dos grandes atrativos. “Claro que na banca também temos livros novos, lançamentos, mas os livros usados realmente têm bastante procura por todas as faixas etárias, desde os jovens até os mais idosos”, afirma.

O interesse por obras consagradas também é percebido por Guilherme Duillis, do Beco dos Livros, que vê o sebo como um espaço de resistência e diversidade literária. “Vendemos muito Agatha Christie, Dostoiévski, Kafka, além de autores gaúchos como Érico e Fernando Verissimo e Martha Medeiros.”

Preço e variedade

Do outro lado do balcão, os leitores confirmam que o preço e a variedade são fatores decisivos. A consumidora Manuela Lopes destaca que os valores atraem, mas que ainda busca mais diversidade. “Eu costumo frequentar sebos, mas geralmente não tem muitos livros do meu gosto. O valor realmente é um atrativo, mas desanima por não ter tantos livros mais conhecidos.” Já o aposentado João Teixeira, frequentador assíduo da feira, busca nos sebos um elo com o passado.

“Eu adoro livros de história e livros antigos, por isso frequento sebos. João Borges Fortes é um dos autores que eu mais procuro”, conta.

Para o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Maximiliano Ledur, a presença dos sebos reforça o caráter popular do evento. “Por ser uma feira democrática, a céu aberto, os sebos estarem na Feira do Livro é um dos principais fatores do sucesso do evento. Além de garantir o acesso, eles trazem diversidade para as bancas aqui na praça”, afirma.

Com títulos que atravessam gerações e preços que cabem em diferentes bolsos, os sebos seguem firmes no coração dos leitores. Mais do que bancas de livros, esses espaços reafirmam o propósito da Feira do Livro de Porto Alegre: fazer da leitura um direito de todos.

Leitores mirins

A Feira do Livro não conquista apenas adultos em busca de novos títulos, as crianças também têm voz ativa na hora de escolher o que querem ler. Entre as bancas coloridas, capas chamativas e personagens conhecidos, elas apontam, perguntam, opinam e saem felizes com seus exemplares debaixo do braço. Na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, a cena se repete, principalmente na área infantil.

A pequena Maria Flor Sffair, de 5 anos, caminhava com a mãe quando encontrou o título que queria: Um dia muito mal-humorado (Stella J. Jones). Além dessa aquisição, Maria já tinha uma sacolinha na mão.

“Eu já comprei um livro que chama Quem tem medo do escuro” (Sarah Shaffi, Isabel Otter). Mas não tenho medo do escuro, não”.

Na banca Viva Livro, a livreira Rosane Coracini confirma que os leitores mirins sabem exatamente o que querem. Entre os títulos mais procurados estão Capitão Cueca, O Clube do Pepezinho, Homem-Cão, Isadora Moon, Mortina e Gildo, o elefante.

Já Paulo Vicente Handoff, de 11 anos, passeava com o pai em busca de novos mangás para a coleção. “Quero achar um que eu ainda não li”, disse, folheando as opções. Para ele, o que mais chama atenção são as histórias rápidas e cheias de ação. Com curiosidade, autonomia e muita personalidade, as crianças mostram que também são protagonistas, e que suas escolhas literárias merecem ser conhecidas.

A Oficina de Jornalismo - Talentos do Futuro - é uma realização do Correio do Povo com o patrocínio da Corsan. Nossa natureza movimenta o Rio Grande. Apoios Ulbra "É Ultra, é Única, é Ulbra" e CIEE-RS "somos integração, inovação e possibilidades".

*Supervisão Luciamem Winck e Mauren Xavier

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