Por Liz Cardoso (Feevale)*
Entre imaginação e páginas recheadas de palavras, uma menina se perdia em milhares de histórias e aventuras diferentes. Quando ela cresceu, seu sonho se tornou escrever enredos que pudessem prender outras pessoas do mesmo jeito que os livros faziam com ela, porém de uma forma um pouco diferente. Muito prazer, essa menina sou eu, Liz Cardoso. Busco, através deste relato, mostrar diferentes visões sobre esses autores que encantam o público com suas histórias desde cedo, os escritores jovens.
O incentivo proposto
Uma ideia só começa a partir do momento em que alguém ou algo a incentiva a brotar. E é isso que a Feira do Livro de Porto Alegre se propõe a fazer com suas programações e projetos voltadas ao público mais jovem. Em uma conversa com a coordenadora da agenda da área infanto-juvenil, Sônia Zanchetta, descobri que o evento conta com 55 espaços de autógrafos voltados a trabalhos de alunos vindos de escolas de diferentes cidades, incluindo Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Esteio, Viamão e Alvorada.
Um ônibus que busca e leva estudantes das escolas públicas dessas cidades. Sônia diz que o objetivo geral desse projeto é mostrar a esses jovens que o mundo os vê, fazendo com que eles se animem em seguir suas metas. “É algo super importante a culminância do trabalho de escrita das escolas. Então é muito significativo esse espaço que a Feira dá”, fala.
Para incentivar e investir nesses escritores, Sônia contou que o Espaço Jovem Banrisul, em parceria com a Feira, realiza palestras e oficinas com escritores experientes de diversas áreas literárias diferentes, para proporcionar aprendizados e inspirações para os jovens que sonham em seguir nessa carreira.
“Isso também é muito importante, que esses escritores jovens possam conversar, ouvir e aprender com esse pessoal que já tem uma trajetória maior”, acrescenta.
Além da colaboração com o Banrisul, o evento tem parcerias com diferentes editoras que buscam talentos com ideias incríveis, sem se importar com a idade daquele que as tem.
A ajuda no caminho para o sucesso
Assim que a ideia nasce, a menor preocupação é escrever. É necessário pensar em toda a parte comercial também, além de conseguir alguém para design, diagramação, correção. Fazer tudo isso sozinho com certeza é difícil e trabalhoso. Para ter um apoio durante essa passagem até o sucesso, existem as editoras.
Durante minha procura de editoras que tivessem algum escritor jovem, apareceu a Editora Coralina. Com escritores de 9 anos até faixas etárias mais elevadas, um dos responsáveis pela parte comercial da editora, Jonas Graczcki, revelou que, na hora de uma leitura crítica, o mais observado é o conteúdo do enredo, a idade fica em última posição de importância.
“Nunca olhamos pelo lado da idade. Se a ideia é boa, vai ter quem procure”, revela.
Para a editora, isso realmente não deveria ser tão priorizado, levando em consideração que um dos livros mais clássicos, “Frankenstein”, foi escrito por uma menina de 18 anos. “Quem gosta de história, não tem idade mínima para escrever, só tem que sentar e escrever”, afirma.
E a Editora Coralina não é a única com esse pensamento. Procurando mais alguma empresa que tivesse algum escritor entre 16 e 25 anos, encontrei a Editora Metamorfose, que tem um foco mais institucional em relação a esses jovens escritores. A editora tem como objetivo ensinar aqueles que têm interesse em se tornarem autores, realizando cursos de escrita criativa, como tirar a ideia do papel, entre outros.
Conversando com Marcelo Spalding, editor e diretor dos cursos da editora, soube mais sobre a importância desse aprendizado para quem está começando, que funciona como um pilar de experiência que vai aumentando na medida em que aprende mais coisas. Em relação ao público mais jovem, Marcelo menciona o que mais chama a atenção deles neste quesito e em como eles se propõem a apoiar. “Como hoje é muito fácil publicar um livro, muitos chegam no Curso já tendo publicado livros e aí percebem que precisam estudar melhor o mercado e a divulgação, e é nisso que focamos nossa ajuda”, destaca.
Caso para se inspirar
Nascido dentro de uma família com um pilar artístico, o jovem Vitor Costa cresceu sendo incentivado a ler. Mas foi no verão de 2023 para 2024 que ele bateu o pé e decidiu que seria escritor, se inspirando em sua avó, que era escritora, poetisa e trovadora.
Assim que determinou sua profissão, a ideia foi surgindo com muito apoio da sua família. Vitor, porém, tinha certeza de algo, nunca iria escrever algo que ele mesmo não leria e, com base nisso, começou a consumir cada vez mais os livros de escritores como Stephen King e Patrícia Highsmith, a fim de se inspirar.
As primeiras páginas vieram naturalmente e, somente depois de algumas frases se completando, é que ele iniciou a “rechear” a história, personalizando até ter tudo o que gostava em uma narrativa. E foi desse jeito que nasceu a obra de Vitor Costa, de 16 anos, “Os Assassinos no Hotel Afrodite”.
Na nossa conversa, perguntei qual era o maior desafio de ser um escritor tão novo quanto ele e a resposta dele me comoveu, ele disse: “A gente não tem tanta confiança sobre se as pessoas vão nos levar a sério ou se as pessoas vão gostar mesmo, mas nunca desvalorizo ou tiro o valor da minha obra”.
Vitor ainda afirmou que ignora as críticas, pois sabe que serão elas que não vão ler seu livro e, por esse motivo, ele deixa para lá. E, ao dar uma dica a outros jovens que sonham em publicar seus livros, afirma que não tem tempo certo para começar e acreditar é o mais importante. “Nunca se pressione a escrever sobre algo que não goste e tenha certeza que tudo que está no teu livro seja 100% teu e 100% algo que tu gostaria de ler”, declara.
O sonho não morre
Ao me deparar com casos como o de Vitor, aquela menininha que sonhava em comover as pessoas com suas palavras acredita que isso ainda é possível. Um sonho não deve permanecer somente como algo imaginário, deve ser algo incentivado a se tornar realidade. E é, através da minha nova versão de contar histórias, que quero realizar o meu sonho de criança.
A Oficina de Jornalismo - Talentos do Futuro - é uma realização do Correio do Povo com o patrocínio da Corsan. Nossa natureza movimenta o Rio Grande. Apoios Ulbra "É Ultra, é Única, é Ulbra" e CIEE-RS "somos integração, inovação e possibilidades".
*Supervisão Luciamem Winck e Mauren Xavier