Taline Oppitz

PSDB na encruzilhada para as eleições em Porto Alegre

Cenário de impasse na federação com o Cidadania e falta de consenso na defesa de um candidato atrapalham articulações

A dois dias do prazo fatal para a criação das executivas dos partidos que estão unidos em federação, o cenário é de impasse considerando a parceria entre o PSDB e o Cidadania. Na sexta-feira se encerra o período, estabelecido pela Justiça Eleitoral, para a formação das executivas, um dos passos necessários para a confirmação das candidaturas.

Em relação à disputa em Porto Alegre, a impressão é a de que dirigentes estão batendo cabeça e não conseguem avançar na definição da majoritária. Como tem maioria na representação, cabe ao PSDB, negociando com o Cidadania, por óbvio, apresentar uma alternativa.

Até aqui, tucanos apostaram suas fichas na deputada Delegada Nadine, no ex-governador Ranolfo Vieira Júnior e no sempre lembrado Aod Cunha. Os movimentos não obtiveram êxito. Foi então que o nome do ex-prefeito Nelson Marchezan Júnior passou a ser defendido por lideranças do partido, entre elas, a presidente estadual, Paula Mascarenhas.

A estratégia, no entanto, esbarra em resistências como a do PSDB da Capital, vereadores e pré-candidatos do partido. E não fica por aí. A intenção inicial do PSDB, que nacionalmente virou um partido nanico, era lançar um candidato que não tivesse desempenho pífio na disputa e que defendesse o governo Eduardo Leite.

Tudo indica que o partido irá fracassar no desafio, apesar de estarem em cena outros nomes, como o de Mano Changes e de Kaká D’Ávila. Any Ortiz está cotada, mas é do Cidadania. Os impasses e indefinições, além de questões internas que vêm interferindo, podem levar o PSDB a não ter representante próprio na eleição pelo Paço Municipal. Seria a primeira vez na história recente que o partido do governador do Estado não teria candidato para chamar de seu na Capital.

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Dissidências à vista

Pelo menos duas questões pesam para que ala de tucanos resistam a apostar, verdadeiramente, suas fichas em Any Ortiz (Cidadania). O fato dela provavelmente não defender o governo Leite como querem os tucanos e sua proximidade com Sebastião Melo (MDB), que buscará a reeleição. Em tempo: nos bastidores, corre a informação de que caso o PSDB não lance um nome forte, parte do Cidadania acabará fazendo campanha informal para Melo.

Leite saiu de cena, acertadamente

O governador Eduardo Leite estava envolvido nas articulações em torno da eleição em Porto Alegre. Com o desastre das enchentes e as crises econômica e humanitária instaladas no Estado, acertadamente, saiu de cena das negociações eleitorais.