Copa do Mundo

Presidente de comitê da Fifa livrou Balogun de suspensão sozinho e sem consultar membros, diz jornal

Presidente do comitê disciplinar da entidade agiu sem a participação dos 17 membros do órgão, segundo o The Times

Apesar de expulsão contra Bósnia, Balogun jogou diante da Bélgica
Apesar de expulsão contra Bósnia, Balogun jogou diante da Bélgica Foto : Charlotte Wilson / Getty Images via AFP / CP

A polêmica decisão de suspender a punição ao atacante norte-americano Folarin Balogun foi tomada exclusivamente pelo presidente do comitê disciplinar da Fifa, Mohammad al-Kamali (Emirados Árabes Unidos), sem a participação dos outros 17 membros do órgão. A informação foi revelada pelo jornalista Martyn Ziegler, do jornal britânico The Times.

O veredito abriu uma exceção inédita na história das Copas do Mundo, na qual cartões vermelhos aplicam suspensões automáticas.

Balogun havia sido expulso por falta grave, infração que normalmente acarreta dois jogos de gancho. Kamali aplicou uma suspensão de apenas uma partida, mas a adiou por um período probatório de um ano.

A medida permitiu que o artilheiro dos Estados Unidos atuasse nas oitavas de final contra a Bélgica, jogo em que os anfitriões foram derrotados por 4 a 1.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a si o mérito da liberação, afirmando ter ligado para o mandatário da Fifa, Gianni Infantino, para tratar do cartão vermelho. Infantino admitiu o telefonema de Trump, mas alegou ter respondido que um "órgão judicial independente" e competente cuidaria do caso.

A decisão gerou forte reação internacional. A Uefa classificou a medida como "sem precedentes, incompreensível e injustificável", enquanto figuras do futebol questionaram a falta de transparência da Fifa, que se recusou a publicar as justificativas por escrito ou a explicar o perdão.

Procurada pelo The Times, a entidade não comentou o fato de Kamali ter decidido isoladamente. No sábado, o dirigente também se recusou a falar à BBC.

Segundo o The Times, embora casos anteriores da Fifa tenham sido decididos por um único membro — geralmente o vice-presidente Jorge Palacio (Colômbia) —, levantamentos de mais de 100 processos mostram que Kamali nunca havia atuado como árbitro único. Em casos de maior relevância, a praxe exige um colegiado de três membros.