A dois dias da final da Copa do Mundo contra a Espanha, no MetLife Stadium, o técnico da seleção argentina, Lionel Scaloni, abriu sua entrevista coletiva com uma reclamação sobre o cronograma oficial. Conforme destaca o site argentino Olé, o treinador protestou contra a obrigatoriedade de antecipar a agenda de mídia, o que prejudicou os preparativos da equipe no campo.
"Chegamos às 23h. Hoje nos obrigaram a treinar em um horário que não queríamos por causa da conferência. Tivemos que fazer um treino rápido, não pudemos testar nada. Estamos focados no descanso. Há atletas que não estão 100%, e veremos como estão para definir o time", criticou o comandante.
O fator Messi e a joia espanhola
Questionado se este domingo marcará a despedida de Lionel Messi da seleção, Scaloni foi direto: "Não tenho nem ideia se será o último jogo. Não conversei com ele sobre isso". O treinador reforçou a necessidade de valorizar o camisa 10 aos 39 anos. "A história e a lenda é ele. O agradecimento a esses jogadores é eterno, porque não era fácil competir neste nível por tantos anos. O caminho foi incrível e serve de exemplo para o país".
Sobre o jovem espanhol Lamine Yamal, o técnico foi elogioso. "É um patrimônio do futebol. Um jogador difícil de marcar, que dará muitas alegrias à Espanha — esperamos que não no domingo. Tomara que pudéssemos deixá-lo trancado no quarto", brincou.
Análise do rival e o estilo parecido
Para Scaloni, Espanha e Argentina praticam um futebol conceitualmente semelhante. "Eles baseiam tudo através da bola. Nisso somos parecidos. O padrão de jogo de ambos está claríssimo. Passarão 100 anos e a bola seguirá sendo a prioridade, embora o físico conte. Chegaram as duas equipes que merecem a final", avaliou, elogiando a evolução gradual da seleção europeia no torneio.
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Coração dividido
O treinador também se emocionou ao comentar a união que a Albiceleste promove no país, superando rivalidades históricas de clubes como Boca e River. Em termos pessoais, o confronto tem um componente familiar peculiar. "Minha esposa é espanhola e meus filhos estarão conosco, logicamente. Mas tenho parentes em Mallorca com o coração dividido. É meio surreal", relatou.
Por fim, Scaloni revelou que abandonou as superstições severas após a última Copa do Mundo. "Eu usava sempre os mesmos tênis. Mas perdemos para a Arábia Saudita no Catar e tive que tirá-los. A cábala quebrou muito rápido e desde então não tenho mais. Só entro em campo com o pé direito, como fazia na época de jogador", concluiu.